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O aviso consta de uma informação publicada no Portal das Comunidades Portuguesas, onde se detalha que a situação na ilha se tem vindo a deteriorar desde o início do ano. A 7 de fevereiro, Havana comunicou um pacote de medidas de emergência, por tempo indeterminado, destinado a reduzir o consumo energético e de combustíveis. A nota governamental sublinha que estas restrições abrangem todos os setores, com potenciais impactos no funcionamento de serviços essenciais para quem visita o país, nomeadamente cuidados de saúde, transportes, abastecimento de água e eletricidade, comunicações, comércio e restauração.
“Adverte-se ainda para o encerramento temporário de algumas unidades hoteleiras e possíveis disrupções nos voos, deslocações, excursões e atividades recreativas”, lê-se no comunicado. Face à imprevisibilidade e ao risco de agravamento das condições atuais, o executivo aconselha os viajantes a ponderarem o adiamento de viagens não indispensáveis ao país caribenho até que o contexto se normalize.
Para aqueles que, ainda assim, decidam viajar, o Governo deixa um conjunto de recomendações: é apelado que se mantenham informados através de fontes oficiais e dos operadores turísticos e companhias aéreas, e sugere-se “vivamente o registo na aplicação Registo Viajante” e a subscrição de um seguro de viagem abrangente, que inclua coberturas para evacuação médica e cancelamento ou interrupção da viagem.
A informação divulgada faz questão de ressalvar que as indicações prestadas “não têm natureza vinculativa”, configurando apenas recomendações e conselhos, passíveis de alteração a qualquer momento. E acrescenta: “Nem o Estado Português, nem as representações diplomáticas e consulares, poderão ser responsabilizadas pelos danos ou prejuízos em pessoas e/ou bens daí advenientes”.
O documento recorda ainda que, desde 18 de outubro de 2024, se têm verificado, de forma intermitente, quebras no sistema elétrico nacional, afetando a totalidade da ilha em simultâneo durante alguns dias, com reflexos no abastecimento de água, gás e acesso a combustível. “Embora vários hotéis e restaurantes disponham de geradores, os seus serviços podem ver-se mais limitados no caso de cortes muito prolongados. O funcionamento dos hospitais pode, igualmente, ser afetado quando se verifica uma quebra do sistema elétrico a nível nacional”, reforça a nota, insistindo na necessidade de os viajantes procurarem informação atualizada.
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros já se tinha pronunciado sobre o dossier cubano. A 12 de fevereiro, no Porto, Paulo Rangel afirmou que o Governo acompanha com atenção e preocupação a situação na ilha, que está a sofrer as consequências da suspensão das entregas de petróleo da Venezuela. “A questão de Cuba é acompanhada por nós com muita atenção e também com preocupação, evidentemente”, declarou o ministro, na altura questionado pelos jornalistas sobre o impacto da crise no grupo Vila Galé, que detém unidades hoteleiras no país, e nos operadores turísticos que preparam pacotes e voos ‘charter’ para a Páscoa.
O momento que Cuba atravessa é particularmente crítico. A crise energética aprofundou-se com o fim das remessas de petróleo por parte da Venezuela, na sequência da queda de Nicolás Maduro e perante as ameaças de Washington de impor sanções alfandegárias a países que comercializem crude com a ilha. Em resposta à pressão norte-americana, o regime cubano implementou medidas drásticas, como a redução da semana de trabalho para quatro dias nas empresas estatais, restrições à venda de combustível e cortes nos transportes públicos, num país já flagelado por apagões e pela escassez crónica de alimentos e medicamentos. Várias companhias aéreas internacionais, de resto, já cancelaram ou reduziram a frequência dos seus voos para o território cubano.
Espanha, por seu turno, anunciou na segunda-feira o envio iminente de ajuda humanitária para a ilha, através das Nações Unidas.
NR/HN/Lusa



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