Morreu Jesse Jackson, ativista que marcou gerações na luta pela justiça racial

17 de Fevereiro 2026

O pastor afro-americano Jesse Jackson, uma das figuras mais marcantes do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, morreu hoje aos 84 anos, informou a família em comunicado, indicando que faleceu em paz, rodeado pelos seus familiares.

Nascido a 8 de outubro de 1941, em Greenville, Carolina do Sul, Jesse Louis Jackson destacou-se a partir da década de 1960 como um dos mais próximos colaboradores do reverendo Martin Luther King Jr., integrando a Southern Christian Leadership Conference (SCLC) e participando ativamente nas campanhas pela igualdade racial, pelo direito de voto e contra a segregação nos estados do sul dos Estados Unidos.

Jackson esteve em Memphis a 4 de abril de 1968, quando Martin Luther King Jr. foi assassinado, episódio que marcou profundamente o movimento dos direitos civis e consolidou o seu papel como um dos seus continuadores. Após a morte de King, Jesse Jackson fundou a organização Operation PUSH (People United to Save Humanity), centrada na promoção da justiça económica, da inclusão social e do fortalecimento das comunidades afro-americanas. Mais tarde, criou também a Rainbow Coalition, ampliando a sua intervenção a uma plataforma multirracial e inter-religiosa dedicada à defesa dos direitos humanos e da participação política das minorias.

Ao longo das décadas seguintes, Jesse Jackson tornou-se uma figura nacional e internacional na luta contra a discriminação racial e na defesa da igualdade de oportunidades. Em 1984 e 1988 candidatou-se às primárias do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, tornando-se um dos primeiros afro-americanos a disputar de forma relevante a nomeação presidencial de um dos grandes partidos norte-americanos. A sua candidatura de 1988 obteve milhões de votos e consolidou a sua influência no debate político norte-americano.

Para além da política partidária, Jesse Jackson desempenhou um papel ativo em missões diplomáticas informais e iniciativas de mediação internacional, envolvendo-se em negociações para a libertação de prisioneiros e em contactos com líderes estrangeiros, reforçando a sua projeção como defensor global dos direitos humanos.

Nos últimos anos, o seu estado de saúde deteriorou-se progressivamente. Em 2017 anunciou que sofria de doença de Parkinson, mantendo ainda assim intervenções públicas esporádicas e presença em eventos ligados aos direitos civis.

A família destacou o seu compromisso inabalável com a justiça, a igualdade e os direitos humanos, sublinhando que a sua ação ajudou a moldar um movimento global pela liberdade e pela dignidade. A morte de Jesse Jackson assinala o desaparecimento de uma das últimas grandes figuras da geração histórica que protagonizou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos na segunda metade do século XX, deixando um legado político e social que atravessou várias décadas e influenciou sucessivas gerações.

lusa/HN/AL

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