NeoMag: a spin-off da UC3M que levou 2,4 milhões da Europa para revolucionar laboratórios

17 de Fevereiro 2026

A spin-off da Universidade Carlos III de Madrid (UC3M), 60Nd, garantiu 2,4 milhões de euros do Conselho Europeu de Inovação (EIC) para levar ao mercado o NeoMag, um dispositivo portátil que combina materiais magneto-inteligentes e inteligência artificial para estudar tumores, traumatismos cranianos ou cicatrização de feridas em laboratório. O financiamento, inserido no programa EIC Transition, é o único em Espanha que resulta diretamente de provas de conceito do Conselho Europeu de Investigação (ERC). A empresa, instalada no Parque Científico da UC3M em Leganés, já soma mais de três milhões de euros com a entrada de investidores privados

O aparelho, que cabe na palma da mão, não se parece com nada do que há por aí. Recorre a polímeros magneto-ativos para aplicar estímulos mecânicos programáveis a culturas celulares, algo que até agora era difícil de reproduzir fora do corpo humano. Isto interessa particularmente a farmacêuticas e a centros de investigação: conseguem simular o microambiente de um tumor, perceber como ele se espalha ou testar um fármaco antes de este chegar a um animal ou a um ensaio clínico. E tudo sem invasões.

Daniel García González, investigador do Departamento de Mecânica de Meios Contínuos e Teoria de Estruturas da UC3M e cofundador da 60Nd, lembra que o caminho começou muito antes. “Este projeto permite-nos pegar em toda a ciência básica que desenvolvemos em projetos anteriores do ERC e levá-la para uma fase de comercialização, com impacto real.” Para ele, a grande vantagem do NeoMag é permitir que os cientistas antecipem falhas terapêuticas cedo, poupando custos e reduzindo a experimentação animal.

A ideia, contam, é que dentro de três anos o produto esteja a ser usado em escala global. Até lá, a empresa vai trabalhar com beta testers para afinar o protótipo. Ricardo de la Torre González, CEO e também cofundador, explica que o salto da academia para o mercado foi um desafio, mas necessário: “Precisávamos de capacidades do mundo empresarial, como saber vender e explicar o impacto da tecnologia a potenciais clientes — outros cientistas e a indústria farmacêutica.” O facto de já terem a confiança de laboratórios como o Instituto Pasteur e o Imperial College London, garante, só veio confirmar o que a Comissão Europeia viu no projeto.

A tecnologia permite estudar, em tempo real, processos de invasão e metástase, mas também respostas neuronais a traumatismos ou a cicatrização da pele. A ideia, segundo os seus criadores, é que a plataforma venha a transformar a investigação em cancro, neurologia e dermatologia. E, a médio prazo, que entre nos laboratórios de meio mundo.

Mais informação: Web da 60Nd em: https://www.uc3m.es/ss/Satellite/InnovacionEmprendimiento/es/TextoMixta/1371403497966/

NR/HN/ALphaGalileo

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