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O balanço apresentado esta terça-feira pelo Governo, referente ao período entre 01 de outubro de 2025 e 16 de fevereiro, revela uma incidência da doença sobretudo nas regiões centro e norte do país. As províncias mais afetadas são Zambézia, Manica e Tete, no centro, e Nampula e Cabo Delgado, no norte. Os números foram divulgados no final da reunião do Conselho de Ministros, em Maputo, e apontam para uma letalidade que o executivo considera preocupante.
“Esta situação preocupa o Governo e por isso orientou o setor da saúde e obras públicas para intensificar as ações de resposta na provisão de água e saneamento do meio, bem como nos cuidados de doentes para cortar a transmissão do vibrião colérico e minimizar os impactos na saúde pública”, declarou o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa.
A província de Nampula tem sido um dos epicentros, não apenas da doença mas também de tensões sociais relacionadas com a desinformação. A 12 de fevereiro, foi anunciado que 30 residências de líderes comunitários foram destruídas e sete pessoas detidas naquela região, no contexto de rumores e informações falsas sobre a cólera. No mesmo dia, a Lusa teve acesso a um boletim que indicava 117 novos casos em 24 horas e um óbito, elevando para perto de 5.000 o total de infetados desde setembro, com 63 mortes.
De acordo com o último boletim da Direção Nacional de Saúde Pública, que consolida dados de 03 de setembro a 09 de fevereiro, do total de 4.843 casos de cólera contabilizados nesse período, 2.051 foram na província de Nampula, com um acumulado de 24 mortos. Em Tete, registaram-se 1.847 casos e 28 óbitos, enquanto Cabo Delgado contabilizou 807 casos e oito mortos. Em menor escala, a Zambéxia apresenta 79 casos e um morto, e Manica 59 casos e dois óbitos. Só nas 24 horas anteriores ao fecho daquele boletim, foram confirmados mais 117 casos e um morto em Nacala-Porto, província de Nampula.
O atual surto, em análise, já ultrapassa em número de infetados o surto anterior, que decorreu entre 17 de outubro de 2024 e 20 de julho de 2025 e que registou 4.420 infetados — 3.590 dos quais em Nampula — e um total de 64 mortos. A comparação ganha relevo porque o atual ciclo epidémico atingiu valores superiores em metade do tempo.
Entretanto, o Governo anunciou a 10 de fevereiro que vacinou 1,7 milhões de pessoas contra a cólera em apenas cinco dias de campanha, superando a meta prevista. Segundo Inocêncio Impissa, foram vacinadas 1.790.410 pessoas nas províncias de Cabo Delgado e Niassa, no norte, e Sofala e Zambézia, no centro, o que corresponde a 102% da população inicialmente visada.
O executivo moçambicano mantém o objetivo de eliminar a cólera “como um problema de saúde pública” até 2030. O plano, aprovado em Conselho de Ministros a 16 de setembro, está orçado em 31 mil milhões de meticais (cerca de 418,5 milhões de euros) e assenta no acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, por via de ações multissetoriais coordenadas. “Alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas”, sublinhou Impissa na altura.
NR/HN/Lusa



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