Fisioterapeutas entram nas salas de diálise do Amato Lusitano

18 de Fevereiro 2026

A Unidade Local de Saúde de Castelo Branco criou um programa que permite a doentes renais crónicos realizar exercício físico supervisionado durante as sessões de hemodiálise no Hospital Amato Lusitano, numa iniciativa inédita em unidades hospitalares nacionais

A Unidade Local de Saúde (ULS) de Castelo Branco avançou com um projeto que junta fisioterapeutas e nefrologistas para levar exercício físico a doentes durante o tratamento de hemodiálise em ambiente hospitalar. A informação foi divulgada hoje em comunicado enviado à agência Lusa, sublinhando-se o caráter inédito da medida em território nacional.

O programa, que resulta do trabalho conjunto entre a equipa de Fisioterapeutas e a Unidade de Diálise do Serviço de Nefrologia, assenta na prescrição individualizada de exercício, executado sob supervisão durante as sessões de tratamento. A ideia, explicam os responsáveis, não é nova na literatura científica – há anos que se acumulam evidências sobre os benefícios da atividade física nestes doentes – mas a sua aplicação prática numa unidade hospitalar pública portuguesa é que nunca tinha acontecido.

Portugal, recorda a ULS, continua a ser um dos países com maior incidência e prevalência de Doença Renal Crónica, e o número de pessoas que necessitam de terapêutica de substituição da função renal não pára de crescer. A maior parte destes doentes, submetidos a hemodiálise, acaba por apresentar níveis muito reduzidos de atividade física. Os motivos são vários: o tempo que passam ligados às máquinas, os efeitos adversos dos tratamentos e as comorbilidades que habitualmente se acumulam. O resultado é uma imobilidade prolongada que traz complicações próprias, sobretudo a nível musculoesquelético e metabólico.

A equipa do Amato Lusitano sublinha que o objetivo não é apenas ocupar o tempo. A ideia é contrariar o ciclo de fragilidade em que muitos doentes entram. Os fisioterapeutas desenham exercícios adaptados a cada caso, com metas concretas: melhorar a capacidade funcional, controlar sintomas, dar algum bem-estar físico e psicológico, e, quem sabe, reduzir os riscos de complicações que a imobilidade arrasta.

Há dias em que é mais difícil, confessam os profissionais. Nem todos os doentes reagem da mesma maneira. Uns entusiasmam-se, outros desconfiam. Mas a equipa vai ajustando a carga, o movimento, a intensidade, sempre durante as horas de tratamento, enquanto o sangue circula pelas máquinas.

Os promotores do projeto lembram que a evidência acumulada nos últimos anos não deixa margem para dúvidas: o exercício regular traz benefícios claros. Mas entre a teoria e a prática vai uma distância que a ULS de Castelo Branco quis encurtar. Transformar recomendações académicas em rotina hospitalar, durante a hemodiálise, implicou articular horários, convencer equipas, explicar aos doentes.

O programa, que os responsáveis classificam como um marco no desenvolvimento de cuidados diferenciados para a Doença Renal Crónica, começa agora e deverá ser alargado progressivamente. A ULS de Castelo Branco assume desta forma aquilo a que chama uma posição de liderança – palavra que talvez seja forte, mas que neste contexto significa apenas ter feito primeiro o que outros ainda não fizeram.

NR/HN/Lusa

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