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Em audição na Comissão Parlamentar de Saúde, Joana Teixeira detalhou que a seleção das três áreas – Litoral Alentejano, Portalegre e Portimão – resultou da necessidade identificada de reforçar a resposta em territórios com menor disponibilidade de profissionais para acompanhamento de doentes em programas de substituição. O arranque está previsto para a segunda quinzena de abril, mantendo-se “tudo a decorrer dentro do previsto”, assegurou.
A responsável, que tomou posse a 01 de janeiro sucedendo a João Goulão, sublinhou a articulação entre as entidades envolvidas. “Todos os parceiros – Associação Nacional de Farmácias, Associação das Farmácias Portuguesas, Infarmed e o próprio ICAD – estão em sintonia e a colaborar”, afirmou, respondendo à deputada do PSD Liliana Fidalgo. O protocolo que permite o regresso da metadona às farmácias comunitárias havia sido assinado a 24 de novembro de 2025, envolvendo também a Ordem dos Farmacêuticos, depois de o serviço ter sido suspenso há 14 anos.
A adesão voluntária de novas farmácias ao projeto-piloto, explicou, será formalizada através do Portal Licenciamento+. O objetivo passa por alargar a rede de locais de dispensa controlada e acompanhamento terapêutico a pessoas com dependência de opiáceos, numa altura em que o ICAD contabiliza mais de 11 mil utentes em programas de substituição com metadona em Portugal. A expansão do consumo ilícito de psicotrópicos e estupefacientes, referiu o instituto, tem-se revelado uma tendência preocupante também no país.
Durante a audição parlamentar, Joana Teixeira abordou ainda as preocupações com o consumo de drogas no Porto e em Lisboa, questão levantada por Liliana Fidalgo. A presidente do ICAD revelou já ter reunido com as vereadoras Gabriela Queiroz, na Invicta, e Maria Luísa Aldinho, na capital. O objetivo, disse, é construir uma resposta integrada que vá além da criação de salas de consumo assistido. “Estamos todos a colaborar para podermos oferecer uma intervenção mais robusta, que permita reduzir danos, mas também captar doentes para tratamento e dar respostas sociais”, sustentou. A ideia, acrescentou, é não voltar a debater o mesmo problema dentro de um ou dois anos, com necessidades sempre superiores. “Queremos uma resposta abrangente e não apenas a questão da sala”, rematou.
NR/HN/Lusa



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