Quercus pede proibição de toalhetes húmidos não biodegradáveis

18 de Fevereiro 2026

A associação ambientalista Quercus pede a proibição da venda de toalhetes húmidos não biodegradáveis e que seja criado um selo “biodegradável”, e enviou uma carta nesse sentido ao Governo e à Assembleia da República.

O pedido foi hoje divulgado em comunicado pela associação, que além da proibição imediata dos toalhetes, usados por “quase 30%” da população do continente, apela a que seja proibida por lei a descarga no esgoto de todos os materiais que prejudicam o ambiente.

Diz a Quercus que os toalhetes descartáveis são responsáveis pela maioria dos entupimentos das redes de esgotos, provocam danos nas infraestruturas de saneamento e tratamento de águas residuais, e contribuem para a poluição marinha, colocando em risco a vida selvagem.

A associação diz que, embora práticos, os toalhetes húmidos “representam uma séria ameaça” ao ambiente quando descartados de forma incorreta.

E avisa que grande parte dos produtos comercializados como “descartáveis e biodegradáveis” contêm “fibras sintéticas que não se decompõem facilmente quando colocados na sanita”, não se dissolvendo como o papel higiénico, e por isso acumulam-se nas redes de esgotos e provocam entupimentos.

Na carta enviada a todos os grupos parlamentares e à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, a Quercus pede que se legisle para acabar com os toalhetes húmidos não biodegradáveis alertando que é possível colocar no mercado apenas produtos “efetivamente biodegradáveis”, que já existem, sendo a proibição “a alavanca necessária para a mudança” na indústria do setor.

Pede também que a empresa Águas de Portugal faça uma estimativa anual dos custos financeiros e ambientais do impacto dos toalhetes nas estações de tratamento de águas residuais, e que se legisle para obrigar os fabricantes dos toalhetes a ressarcir os custos de limpeza, transporte e tratamento de resíduos, bem como o financiamento de campanhas de sensibilização.

A Quercus pede ainda a criação de um selo “Biodegradável”, que cada produtor tenha de colocar, seguindo uma metodologia como a que já é usada por exemplo no Reino Unido, sempre com a indicação de que estes produtos não podem ser descartados na sanita, mas sim no lixo indiferenciado.

“No âmbito do utilizador, legislar no sentido de proibir a descarga de toalhetes húmidos no esgoto doméstico, alargando a medida a outros produtos como preservativos, medicamentos, pensos, tampões, beatas, cotonetes ou óleos alimentares”, pede também a associação, que quer ainda uma campanha nacional de sensibilização sobre o que não deve ser colocado no esgoto doméstico.

“É necessário reforçar a consciencialização pública sobre este problema e promover comportamentos mais responsáveis”, diz a Quercus no comunicado, salientando que os produtos em causa nunca devem ser colocados na sanita, mesmo quando rotulados como “descartáveis e biodegradáveis”, e que o local correto é sempre o lixo indiferenciado.

lusa/HN

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