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Até agora, quem precisava de uma primeira consulta daquelas especialidades e era encaminhado pelos cuidados de saúde primários da ULSGE não tinha alternativa: a viagem até ao hospital de Gaia era obrigatória. Mas o modelo mudou. Agora, numa primeira fase, são os próprios médicos especialistas que se deslocam às unidades de Valadares e Canidelo. A escolha destes dois locais não é definitiva, e a administração admite alargar a experiência a outras freguesias, dependendo da forma como a iniciativa se desenrolar nos próximos meses.
A medida, que começou discretamente em fevereiro, visa essencialmente poupar tempo e recursos a doentes que, muitas vezes, enfrentam dificuldades de mobilidade ou dependem de terceiros para se deslocarem à maior unidade hospitalar da região. A lógica, explicou fonte oficial da ULSGE, é fazer com que o especialista percorra o caminho inverso: sai do hospital e instala-se, em dias e horas agendados, nas instalações dos centros de saúde. Dessa forma, libertam-se também os recursos pesados do hospital para os casos que realmente exigem a estrutura complexa de uma unidade central.
A diretora clínica para os Cuidados de Saúde Primários da ULSGE, Sónia Bastos, referiu que este novo modelo de trabalho permite “reforçar a articulação entre cuidados hospitalares e cuidados de saúde primários”, sublinhando ainda a vantagem de as equipas hospitalares se poderem concentrar “nas situações mais complexas ou nas especialidades que não podem ser descentralizadas”. Ou seja, procura-se uma triagem mais eficiente no terreno, evitando que doentes com patologias menos graves ou em fase inicial tenham de se deslocar ao mesmo local que os doentes de alta complexidade.
Luís Matos, presidente do conselho de administração da ULSGE, não tem dúvidas de que esta é a filosofia que deve guiar as Unidades Locais de Saúde. “Este é o verdadeiro sentido das Unidades Locais de Saúde: aproximar os cuidados de saúde das pessoas e garantir melhor acesso, melhores cuidados e respostas mais atempadas”, afirmou, citado na informação que a instituição fez chegar à agência Lusa.
O arranque fez-se com ortopedia e urologia por uma razão prática: são das especialidades com maior pressão e lista de espera na consulta externa do Hospital Eduardo Santos Silva. Mas a ideia é não ficar por aqui. A endocrinologia já está na calha para integrar o projeto, assim que a equipa responsável considere que estão reunidas as condições clínicas e logísticas para iniciar os agendamentos nos centros de saúde.
De acordo com as contas provisórias da ULSGE, a expectativa é que este projeto-piloto consiga assegurar, pelo menos, 2300 primeiras consultas só com as especialidades já em funcionamento descentralizado. Um número que, a concretizar-se, poderá representar uma ligeira redução no fluxo de doentes que diariamente se dirigem ao hospital de Gaia à procura de uma resposta especializada.
NR/HN/Lusa



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