Cólera em Moçambique ultrapassa 5.500 casos e provoca 71 mortos desde setembro

19 de Fevereiro 2026

O atual surto de cólera em Moçambique já infetou 5.499 pessoas e fez 71 vítimas mortais desde setembro, números que superam os registos do ciclo anterior, que contabilizara 64 óbitos em quase dez meses

A Direção Nacional de Saúde Pública contabilizou mais 111 casos e um óbito nas últimas 24 horas, este último reportado no distrito de Nacala-Porto, província de Nampula. O boletim, que agrega dados desde 03 de setembro até 16 de fevereiro, revela que a doença continua a castigar com maior incidência as regiões nortenhas.

Nampula lidera as estatísticas, com 2.341 infetados e 32 mortos. Tete surge logo a seguir, com 2.095 casos e 28 óbitos. Em Cabo Delgado, os números apontam para 895 pessoas contaminadas e oito vítimas mortais. A Zambézia regista 95 casos e uma morte, enquanto Manica contabiliza 71 infetados e dois óbitos. A taxa de letalidade fixa-se nos 1,3% a nível nacional.

O atual surto, que decorre há cerca de cinco meses e meio, já ultrapassou os números do anterior, que entre outubro de 2024 e julho de 2025 infetara 4.420 pessoas, das quais 3.590 só em Nampula, num total de 64 mortos. A progressão da doença tem sido mais rápida e letal neste período.

Na semana passada, o Governo anunciara ter vacinado mais de 1,7 milhões de pessoas em apenas cinco dias, entre 04 e 08 de fevereiro, abrangendo as províncias de Cabo Delgado, Niassa, Sofala e Zambézia. Inocêncio Impissa, porta-voz do Conselho de Ministros, revelou que foram administradas 1.790.410 doses, superando em 2% a meta traçada para a campanha.

O executivo mantém a ambição de erradicar a doença até ao final da década. O plano, aprovado em setembro, prevê um investimento de 31 mil milhões de meticais (cerca de 418,5 milhões de euros) para garantir acesso a água potável, saneamento básico e cuidados de saúde de qualidade. “Queremos um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030”, afirmou Impissa na altura da aprovação da estratégia, sublinhando a necessidade de uma atuação multissetorial baseada em evidências científicas.

NR/HN/Lusa

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