Hipertensão resistente: consenso português define novas regras de tratamento

19 de Fevereiro 2026

Sociedade Portuguesa de Hipertensão e Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular apresentaram documento que uniformiza critérios para desnervação renal, procedimento minimamente invasivo dirigido a doentes com pressão arterial não controlada apesar da medicação

A Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) e a Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) apresentaram esta quinta-feira, no Congresso Português de Hipertensão, um documento de consenso que estabelece novas regras para o tratamento da hipertensão arterial de difícil controlo. O texto, que resulta da colaboração entre as duas sociedades científicas, pretende clarificar o acesso à desnervação renal (RDN) e uniformizar a abordagem clínica a doentes com hipertensão resistente – uma condição em que a pressão se mantém elevada apesar do uso de medicação.

A hipertensão atinge 42,6% da população adulta em Portugal. É um dos principais fatores de risco para acidente vascular cerebral, enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca e doença renal. Mas os números de controlo da doença no país ficam aquém do desejável: menos de metade dos diagnosticados estão medicados e apenas 11,2% apresentam valores tensionais efetivamente controlados.

Luís Nogueira Silva, representante da SPH, lembra que a hipertensão é “um inimigo silencioso que contribui de forma massiva para a mortalidade global”. O responsável sublinha que o consenso agora divulgado “pretende criar um caminho mais claro e eficaz para os doentes que mais precisam”. A ideia, acrescenta, é “garantir que os tratamentos mais avançados cheguem a quem já esgotou as opções convencionais, melhorando a sua qualidade e esperança de vida”.

O documento centra-se na desnervação renal, um procedimento minimamente invasivo que atua sobre os nervos simpáticos localizados nas artérias renais. A técnica, que tem vindo a ganhar terreno noutros países, surge como alternativa para doentes em que a terapêutica farmacológica se revela insuficiente. Manuel Almeida, especialista em Cardiologia de Intervenção, frisa que a RDN é “uma ferramenta terapêutica com provas dadas” e que o contributo do consenso passa por “estabelecer um enquadramento clínico robusto em Portugal, uniformizando os critérios de referenciação e otimizando a prática clínica”.

O texto dá ainda relevo à monitorização domiciliária da pressão arterial, uma prática que permite detetar fenómenos como a hipertensão da bata branca ou a hipertensão mascarada e que, segundo os especialistas, se revela mais eficaz na previsão de eventos cardiovasculares. O envolvimento dos doentes na gestão da doença é apontado como uma peça cada vez mais importante no puzzle do tratamento.

A SPH é uma organização sem fins lucrativos que se dedica à investigação, prevenção, diagnóstico e tratamento da hipertensão arterial e suas complicações, promovendo a formação de profissionais de saúde e a divulgação de conhecimento junto do público. Já a APIC congrega especialistas em cardiologia de intervenção e tem como missão promover a excelência na prática clínica, na investigação e na educação para melhorar os resultados de saúde dos doentes com doenças cardiovasculares em Portugal.

PR/HN/MM

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