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Egil Thorsås, embaixador da Noruega, foi directo ao falar na conferência Moçambique – Países Nórdicos, promovida pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC). Para ele, não há volta a dar: é preciso alicerces sólidos. “Começa com a participação dos cidadãos, exige liberdade de expressão, uma imprensa livre, uma sociedade civil forte, eleições livres e credíveis, mecanismos claros de controlo dos poderes do Estado e equilíbrio e uma cultura de prestação de contas”, afirmou, sublinhando que o futuro de Moçambique não pode ficar refém de uma minoria. “Não me cabe a mim decidir o futuro de Moçambique, esse futuro cabe ao povo, não apenas pessoas que estão numa posição privilegiada”, acrescentou, deixando no ar a ideia de que o país ainda tem chão pela frente.
Thorsås recordou que os nórdicos levaram um século a construir o modelo de bem-estar social, sempre com instituições bem delineadas. “Somos países pequenos”, lembrou, quase como quem pede desculpa pela dimensão, mas isso obrigou-os a serem rigorosos: fronteiras nítidas entre os poderes, parlamentos com peso real e mecanismos de controlo a funcionar.
Andrés Jato, o embaixador sueco, pegou no testemunho e puxou para a questão das parcerias. Na Suécia, disse, ninguém se salvou sozinho. “Nenhum destes atores pode alcançar progresso a longo prazo sozinho, cada um traz pontos fortes que outros não têm e quando trabalham juntos a sociedade torna-se mais resiliente e mais inovadora.” E atirou um recado que soou a aviso amigável: o crescimento tem de chegar a toda a gente. “Os países nórdicos adotaram uma economia de mercado, mas combinaram-na com fortes proteções sociais, acesso à educação e um compromisso em garantir que todos possam participar no desenvolvimento social. O crescimento por si só não é suficiente, a menos que beneficie uma ampla população.”
Jato não se ficou pelos princípios. Falou de medidas concretas, como o empoderamento das mulheres – uma aposta que, garantiu, acelerou tudo – e um sistema tributário que não engana ninguém. “Todos contribuem de acordo com as sua capacidades e as receitas são utilizadas de forma transparente”, explicou, prometendo que a Suécia está disponível para apoiar Moçambique nessa direcção.
Satu Lassila, embaixadora da Finlândia, trouxe para a mesa a história do seu país. “Evoluímos em 100 anos de um país marcado por guerras para uma das democracias mais estáveis do mundo”, contou, e o segredo, se é que existe, esteve nas pessoas. A Finlândia apostou tudo na educação, mas numa educação que fosse para todos, sem distinções. “Queríamos garantir a todas as crianças oportunidades iguais de aprendizagem. Construímos um sistema educativo em que o direito a uma educação básica de qualidade não dependia da riqueza da família e nem do local de residência ou do género.”
Lassila insistiu na formação de professores de qualidade e na valorização da profissão, algo que, reconheceu, custa a interiorizar noutras latitudes. “A educação deixou de ser vista como despesa, mas investimento nacional”, sublinhou, deixando um apelo claro a Moçambique: é preciso construir instituições fortes, com uma administração pública que não seja marioneta do poder político, e abrir espaço para mais partidos. O tom foi de quem partilha uma receita que deu certo, sem impor nada, mas com a convicção de quem sabe do que fala.
NR/HN/Lusa



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