Técnicos Auxiliares de Saúde de Santa Maria marcam greve para 19 de março

19 de Fevereiro 2026

Os Técnicos Auxiliares de Saúde da Unidade Local de Saúde de Santa Maria aprovaram uma paralisação para o próximo mês, cansados da ausência de avaliação de desempenho que, dizem, os trava na carreira e lhes nega progressões salariais

Foi em plenário, na manhã de quarta-feira, que os trabalhadores tomaram a decisão. A greve, marcada para o dia 19 de março, entre as 08:00 e as 24:00, resulta de um braço-de-ferro que opõe os cerca de 1350 TAS daquela unidade à administração. Em causa está um impasse na aplicação do sistema de avaliação de desempenho, algo que, garantem, já foi desbloqueado noutros hospitais, como o IPO de Lisboa, a ULS Lisboa Ocidental e a ULS Amadora/Sintra.

Ao microfone da Lusa, Ana Amaral, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, deixou claro o descontentamento. A dirigente sindical explicou que, apesar da transição para uma nova carreira, a administração do hospital tem-se escudado nessa mesma mudança para justificar a paragem nos processos avaliativos. “A posição de Santa Maria é a de que, como passaram para uma nova carreira, não se aplica a avaliação”, afirmou, classificando a postura como reveladora de “falta de vontade” política para resolver o problema.

O Sindicato lembra que, independentemente das particularidades da nova carreira, o enquadramento legal é claro: “O diploma da carreira não fala de avaliação, aplica-se a lei geral, o que significa que se aplica o SIADAP”, reiterou Ana Amaral, ainda que ressalvando que o modelo de avaliação da função pública não é o preferido. Para os trabalhadores, que se sentem “desvalorizados nas suas funções e no salário” — muitas vezes perto do salário mínimo nacional —, a ausência de avaliação impede qualquer evolução e desrespeita quem está “diariamente na linha da frente nos cuidados aos doentes”. O protesto visa justamente desbloquear a avaliação do biénio 2023/2024, bem como a de 2025 e a definição de objetivos para 2026.

Questionada pela Lusa, a direção da ULS de Santa Maria garante, no entanto, que o processo não está paralisado. Fonte oficial da instituição assegurou que “o processo de avaliação está pronto”, encontrando-se apenas dependente de um parecer externo. “Foi feito um pedido à ACSS [Administração Central do Sistema de Saúde] para que possa ser homologada, uma vez que se trata de uma nova carreira com grelhas salariais novas”, referiu a mesma fonte, deixando no ar a ideia de que a decisão não está nas mãos do hospital, mas sim da tutela.

NR/HN/Lusa

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