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Foi em plenário, na manhã de quarta-feira, que os trabalhadores tomaram a decisão. A greve, marcada para o dia 19 de março, entre as 08:00 e as 24:00, resulta de um braço-de-ferro que opõe os cerca de 1350 TAS daquela unidade à administração. Em causa está um impasse na aplicação do sistema de avaliação de desempenho, algo que, garantem, já foi desbloqueado noutros hospitais, como o IPO de Lisboa, a ULS Lisboa Ocidental e a ULS Amadora/Sintra.
Ao microfone da Lusa, Ana Amaral, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, deixou claro o descontentamento. A dirigente sindical explicou que, apesar da transição para uma nova carreira, a administração do hospital tem-se escudado nessa mesma mudança para justificar a paragem nos processos avaliativos. “A posição de Santa Maria é a de que, como passaram para uma nova carreira, não se aplica a avaliação”, afirmou, classificando a postura como reveladora de “falta de vontade” política para resolver o problema.
O Sindicato lembra que, independentemente das particularidades da nova carreira, o enquadramento legal é claro: “O diploma da carreira não fala de avaliação, aplica-se a lei geral, o que significa que se aplica o SIADAP”, reiterou Ana Amaral, ainda que ressalvando que o modelo de avaliação da função pública não é o preferido. Para os trabalhadores, que se sentem “desvalorizados nas suas funções e no salário” — muitas vezes perto do salário mínimo nacional —, a ausência de avaliação impede qualquer evolução e desrespeita quem está “diariamente na linha da frente nos cuidados aos doentes”. O protesto visa justamente desbloquear a avaliação do biénio 2023/2024, bem como a de 2025 e a definição de objetivos para 2026.
Questionada pela Lusa, a direção da ULS de Santa Maria garante, no entanto, que o processo não está paralisado. Fonte oficial da instituição assegurou que “o processo de avaliação está pronto”, encontrando-se apenas dependente de um parecer externo. “Foi feito um pedido à ACSS [Administração Central do Sistema de Saúde] para que possa ser homologada, uma vez que se trata de uma nova carreira com grelhas salariais novas”, referiu a mesma fonte, deixando no ar a ideia de que a decisão não está nas mãos do hospital, mas sim da tutela.
NR/HN/Lusa



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