![]()
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos divulgaram esta quinta-feira uma avaliação conjunta que aponta para uma “probabilidade atual de exposição à fórmula contaminada baixa”, justificando-a com as medidas de retirada de produtos desencadeadas ainda em 2025.
A 28 de janeiro, o ECDC tinha informado que leites de nutrição infantil estavam a ser recolhidos preventivamente em diversos mercados devido à presença de uma toxina produzida pela bactéria ‘Bacillus cereus’, associada a sintomas como náuseas, vómitos e diarreia. As recolhas dos lotes, de várias marcas, ainda decorrem em alguns países, e as autoridades nacionais mantêm investigações em curso.
Até 13 de fevereiro, sete nações europeias – Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Luxemburgo, Espanha e Reino Unido – comunicaram estar a investigar casos de sintomas gastrointestinais em bebés após o consumo destes produtos. A maioria das crianças apresentou sintomas ligeiros, embora tenha havido necessidade de hospitalização por desidratação nalguns casos.
O próprio centro europeu reconhece, no entanto, uma dificuldade acrescida na identificação destes episódios: os sintomas da intoxicação por ‘cereulida’ são praticamente indistintos dos de infeções gastrointestinais virais comuns, muito frequentes na Europa durante o período de inverno. “As medidas de controlo implementadas na União Europeia reduziram a probabilidade de exposição a produtos contaminados”, lê-se no comunicado do ECDC, que acrescenta uma nota importante: “Podem ainda ocorrer novos casos se os produtos recolhidos permanecerem nas habitações em vez de serem devolvidos.”
A toxina em causa, a ‘cereulida’, provoca habitualmente náuseas, vómitos e dores de estômago súbitas entre 30 minutos e seis horas após a ingestão. Nos bebés, o quadro pode ser mais complexo, alterando o equilíbrio dos sais no organismo e levando a complicações como a desidratação. Os efeitos são considerados ligeiros a moderados, mas a idade é um fator determinante: recém-nascidos e bebés com menos de seis meses apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença.
O ECDC recomenda que os consumidores acompanhem as orientações das autoridades nacionais de segurança alimentar. “É importante estar atento aos sintomas de vómitos e diarreia em bebés e crianças, independentemente da causa subjacente. A recomendação geral é procurar assistência médica profissional caso desenvolvam sintomas gastrointestinais persistentes ou graves”, alerta.
Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde anunciou a 11 de fevereiro que não foram registados casos de intoxicação associados a este problema, adiantando que duas empresas procederam por iniciativa própria à retirada do mercado de lotes potencialmente contaminados.
NR/HN/Lusa



0 Comments