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A cerimónia decorreu no campus de Gualtar, em Braga, e os nomes dos premiados foram recebidos com entusiasmo pela comunidade académica. Miguel Oliveira, investigador do Instituto de Investigação em Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos (I3Bs), foi o rosto escolhido para o Prémio de Mérito Científico. Aos 48 anos, e com um percurso firmemente enraizado na academia minhota, Oliveira vê esta distinção como um impulso coletivo. “Sermos reconhecidos pela nossa ‘casa’ motiva-me, a mim e à equipa, a prosseguir estas duas décadas dedicadas aos biomateriais e à engenharia de tecidos, procurando melhorar a vida das pessoas”, sublinhou, deixando transparecer uma ligação que vem de longe: “Sempre fui curioso, desde criança queria as ciências, sobretudo quando perdi a minha mãe na luta contra um cancro; hoje tenho o privilégio de trabalhar onde cresci, surgiram aí o parque tecnológico AvePark e o I3Bs, que é uma referência mundial nesta área científica”. O seu trabalho de investigação tem-se focado no tratamento de lesões músculo-esqueléticas e no diagnóstico e terapias do cancro, área na qual já patenteou dispositivos de diagnóstico para o cancro colorretal, um dos mais letais, ponderando agora criar uma start-up que leve essa inovação até ao mercado.
Doutorado em Ciência e Tecnologia de Materiais pela UMinho, com uma passagem pelo AIST, no Japão, Miguel Oliveira é atualmente investigador principal com agregação do Grupo 3B’s e vice-presidente do I3Bs. O seu extenso currículo inclui mais de 400 publicações científicas, 24 patentes e marcas, e a participação em mais de 700 conferências, 110 das quais na qualidade de palestrante principal. Envolvido em projetos internacionais como o “OncoScreen” e “Renovate” do Horizonte Europa, coordena agora o “EngVIPO”, financiado pelo programa Marie Skłodowska-Curie Actions. É ainda Fellow em Ciência de Biomateriais e Engenharia pelo ICF-BSE, uma distinção que reúne as dez sociedades mundiais de Biomateriais.
Do outro lado do palco, Sónia Caridade, da Escola de Psicologia (EPsi), recebeu o Prémio de Mérito na Docência, uma honraria que a apanhou de forma especial. “Recebo este prémio com profunda gratidão, responsabilidade e humildade, consciente de que outros colegas, pelos seus percursos pedagógicos inovadores, legitimamente também o mereceriam”, afirmou, numa reação que denota uma perceção aguda do trabalho coletivo que o ensino encerra. Para si, a distinção é um processo “coconstruído” com várias pessoas: “Desde os meus estudantes, que diariamente me desafiam a repensar e a rever práticas pedagógicas, a inovar e a promover aprendizagens mais significativas e inclusivas, até aos docentes da minha Escola e de outras unidades orgânicas e instituições com quem tenho interagido no âmbito do consórcio EPIC – Excelência Pedagógica em Inovação e Cocriação, cujo envolvimento, partilha e entusiasmo tornaram este caminho possível e sustentado”.
Doutorada em Psicologia da Justiça pela UMinho, Sónia Caridade é professora auxiliar, vice-presidente para a Educação e Inovação Pedagógica e preside ao Conselho Pedagógico da EPsi. Integra o Centro de Investigação em Psicologia e a comissão do Centro IDEA-UMinho, dedicando-se à experimentação e disseminação de práticas de inovação pedagógica, nomeadamente através dos consórcios UNorte e EPIC. Coordenou o projeto COLAB_FeedBack, que criou uma Comunidade de Prática em Avaliação Formativa e Feedback, e acumula, desde 2004, a função de perita forense na área da psicologia, dinamizando formações para diversos agentes do sistema de justiça.
O Prémio de Mérito Científico, instituído em 2009, conta agora com 19 investigadores no seu historial, incluindo nomes como Rui L. Reis, Nuno Sousa e Patrícia Jerónimo. Já o Prémio de Mérito na Docência, criado em 2025, teve no ano passado como primeiro distinguido o professor Rui Lima, sendo Sónia Caridade a segunda personalidade a receber esta menção.
PR/HN/MM



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