Bruxelas acelera vacinas de nova geração com 225 milhões

20 de Fevereiro 2026

A União Europeia vai canalizar 225 milhões de euros para o desenvolvimento de vacinas contra a gripe desenhadas para abranger um leque mais alargado de variantes virais, anunciou esta quinta-feira a Comissão Europeia. O financiamento, o primeiro do género em regime de contratação pública pré-comercial, pretende garantir que os produtos cheguem a ensaios clínicos e, mais tarde, aos programas nacionais de vacinação

A Comissão Europeia decidiu mobilizar 225 milhões de euros para acelerar a criação de vacinas de nova geração contra a gripe, num investimento que privilegia formulações mais abrangentes e de administração simplificada. O anúncio, feito esta quinta-feira em Bruxelas, sublinha a intenção de dotar o continente de instrumentos que permitam uma resposta mais rápida a eventuais surtos pandémicos, sem depender das adaptações anuais que caracterizam as vacinas atuais.

O modelo de financiamento escolhido é inédito: pela primeira vez, a Comissão recorre à contratação pública pré-comercial para levar produtos até aos ensaios clínicos. O mecanismo permite, segundo o executivo comunitário, assegurar que as candidatas a vacinas cumprem critérios apertados de segurança, qualidade e eficácia antes de chegarem ao mercado. Em comunicado, a instituição defende que este apoio público se justifica para evitar que inovações promissoras estagnem por falta de viabilidade comercial imediata.

As vacinas financiadas terão de obedecer a um perfil específico: além de protegerem contra uma diversidade maior de estirpes, devem ser desenhadas para facilitar a administração — seja por via nasal, oral ou através de pensos cutâneos. A ideia, explica a mesma fonte, é que em situações de emergência seja possível escalar rapidamente a produção e distribuição sem os constrangimentos logísticos das vacinas injetáveis tradicionais.

Os contratos agora assinados estendem-se por 98 meses, o equivalente a pouco mais de oito anos, e cobrem todo o percurso desde o desenvolvimento clínico até à autorização de introdução no mercado. A Comissão espera que, com este horizonte alargado, as empresas e centros de investigação envolvidos consigam levar as candidatas a bom porto e que as soluções encontradas possam integrar-se nos calendários vacinais nacionais num prazo mais curto do que o habitual.

NR/HN/Lusa

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