Câmara de Pinhel paga 300 euros por mês para fixar médicos no centro de saúde

20 de Fevereiro 2026

A Câmara de Pinhel aprovou um apoio mensal de 300 euros para médicos que se fixem no concelho, numa tentativa de travar a escassez de clínicos e assegurar o funcionamento do centro de saúde e das urgências locais

A proposta de protocolo com a Unidade Local de Saúde da Guarda foi aprovada por unanimidade na reunião quinzenal do executivo. O objetivo é combater aquilo que a autarca Daniela Capelo classifica como uma “grande carência” de profissionais na unidade de saúde local. A medida prevê um suplemento remuneratório de 300 euros pago pelo município à ULS, que o repassará aos clínicos. “É um suplemento que será repercutido no vencimento do médico”, explicou a presidente da autarquia à agência Lusa.

O apoio integral destina-se aos médicos que escolham residir em Pinhel. Para os contratados que mantenham residência noutros concelhos, o município prevê um valor mais reduzido, embora a autarca não tenha especificado o montante. Além da verba, há um conjunto de regalias não financeiras: os clínicos residentes terão acesso gratuito a piscinas, cinema, ginásio e outros equipamentos municipais, com uma bonificação de 50% para cônjuges e descendentes. Já os não residentes beneficiam de 50% de desconto na utilização desses mesmos serviços.

A decisão surge na sequência de duas saídas recentes do quadro de clínicos. “Recentemente, dois médicos saíram para outros projetos e, portanto, há utentes que não têm médico de família”, afirmou Daniela Capelo, sublinhando a necessidade de assegurar as escalas do Serviço de Atendimento Complementar, o antigo serviço de urgência. O centro de saúde conta atualmente com três médicos de família, mas a autarca admite que, “em bom rigor, seriam necessários mais três”.

A autarca disse acreditar que os incentivos terão acolhimento, uma vez que resultam de conversas prévias com a ULS e com médicos já a trabalhar no concelho, bem como com outros potenciais interessados. Daniela Capelo reconheceu, contudo, que o município não inova: a medida replica o que já é prática em várias autarquias da região, num efeito de contágio que acaba por impelir todos a adotar soluções semelhantes. “Se puderem ser uma mais-valia, no sentido de garantir a todos os pinhelenses a prestação de cuidados de saúde atempados e de qualidade, então o seu objetivo será cumprido”, rematou.

Antes do início da ordem de trabalhos, o executivo guardou um minuto de silêncio por Luís Videira Poço, ex-vereador e antigo presidente da Assembleia Municipal, falecido a 5 de fevereiro aos 79 anos. O social-democrata, que foi vereador entre 2013 e 2025, chegou a assumir interinamente a presidência da câmara no período entre 15 de abril e 25 de outubro do ano passado, substituindo Rui Ventura, que suspendera o mandato para liderar a Entidade Regional de Turismo do Centro.

NR/HN/Lusa

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