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O responsável pelo serviço de Cirurgia Cardiotorácica da Unidade Local de Saúde São João, no Porto, manifestou esta quinta-feira preocupação com o impacto que a eventual abertura de um novo centro de referência na área metropolitana do Porto poderia ter nos serviços já existentes. Em declarações à Lusa, Adelino Leite Moreira defendeu que, caso haja verba disponível para investimento, a prioridade deveria ser o reforço das unidades em funcionamento, em vez da criação de novas estruturas.
“A abertura de um novo centro pode comprometer seriamente o funcionamento dos centros atualmente em funcionamento, sendo certo que, se há disponibilidade financeira para investir nesta área, acho que é muito mais custo efetivo investir nos centros já existentes”, afirmou.
O cirurgião ressalvou que a sua posição “não visa as ambições de nenhuma ULS em particular”, mas sim o risco de uma “dispersão comprometedora de recursos humanos”. Leite Moreira questionou ainda a lógica de concentração geográfica de meios: “Faz sentido ter três centros de prevenção com raio de 10 quilómetros com seis cirurgiões por noite e por dia na região do Porto?”.
As declarações surgem depois de o Diário de Notícias ter noticiado que quatro hospitais do Norte — ULS Santo António, ULS Tâmega e Sousa, ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro e ULS de Matosinhos — subscreveram uma carta dirigida à ministra da Saúde. No documento, os serviços de cardiologia alertam para as listas de espera de doentes a necessitar de cirurgia ou de implantação da válvula aórtica. À ULS Santo António tem sido atribuída a intenção de vir a acolher um centro de referência, ainda que as outras unidades envolvidas neguem ambições concretas, defendendo antes uma reflexão alargada sobre a resposta nesta área.
O diretor do São João recordou que a atual rede de referenciação foi definida em 2023, após um trabalho que considerou exaustivo e profissional, e que resultou na abertura recente de um centro em Braga. “Entendeu-se que se justificava um novo centro. A abertura desse novo centro, pelos números, pela realidade dos doentes que temos, será capaz de responder às necessidades do Norte”, sustentou.
Apesar de aberto há cerca de dois meses, o centro bracarense está a funcionar com limitações de pessoal, a 20% da capacidade. Leite Moreira acredita que, quando estiver na plenitude, conseguirá dar resposta às listas de espera, mas sublinhou que o São João já cedeu dois cirurgiões seniores para viabilizar a nova unidade. “A saída de mais um que fosse vai comprometer a nossa capacidade de resposta”, alertou, realçando que, apesar da cedência, o hospital portuense conseguiu aumentar em 6% o número de doentes operados no último ano.
Numa posição paralela, o diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica da ULS Gaia/Espinho, que também integra a rede de centros de referência, considerou que a criação de um novo polo na ULS Santo António “amputaria capacidade aos centros existentes”. A Lusa procurou obter reações junto de outras ULS da região Norte e da Direção-Executiva do SNS, estando a aguardar resposta.
NR/HN/Lusa



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