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São números que a equipa da Urgência Pediátrica da ULS Santa Maria viu crescer de forma sustentada: 59 intoxicações voluntárias em 2024, 72 no ano passado. Em causa estão adolescentes que recorrem deliberadamente a medicamentos, na maior parte das vezes fármacos comuns disponíveis em casa, sem necessidade de prescrição médica.
A coordenadora do serviço, Erica Torres, revelou à agência Lusa que esta tendência tem merecido atenção redobrada dos profissionais de saúde. Na origem das preocupações está também o chamado “desafio do paracetamol”, entretanto denunciado pelas Ordens dos Enfermeiros e dos Médicos, e que circula em plataformas como o TikTok incentivando a toma de doses elevadas do analgésico.
A pediatra referiu o caso de uma adolescente internada na quarta-feira após ingerir dez gramas da substância, o equivalente a dez comprimidos de 500 miligramas. “É muito, é uma quantidade que preocupa”, descreveu. Apesar de a venda do comprimido de um grama exigir receita médica, o de 500 miligramas é de venda livre, o que facilita o acesso.
Segundo Erica Torres, há adolescentes que já acumulavam medicação ao longo do tempo para mais tarde a consumir de uma só vez. Casos como o de um jovem que guardou comprimidos durante todo o verão para uma ingestão maciça são considerados pela médica como tentativas de suicídio premeditadas. Ainda assim, a maioria dos episódios não é planeada: surge na sequência de conflitos familiares, discussões com o namorado ou castigos como a retirada do telemóvel. “São atos impulsivos, e muitas vezes os jovens até se arrependem”, disse.
Dos 232 casos registados nos últimos seis anos, 60% correspondem a adolescentes com diagnóstico prévio de perturbação depressiva ou ansiosa. Cerca de 30%, no entanto, não tinham qualquer historial de doença mental. A coordenadora sublinha que estes números representam apenas a ponta do icebergue de um problema mais alargado de saúde mental entre os mais novos.
Na urgência, além das intoxicações, são frequentes as queixas de ataques de pânico, ansiedade, dores no peito ou palpitações associadas a sofrimento psicológico. “É fazer mal a si próprio, como as autolesões”, comparou a pediatra, explicando que os adolescentes são particularmente vulneráveis por não terem ainda o córtex pré-frontal completamente desenvolvido, o que dificulta o controlo dos impulsos.
Para Erica Torres, o papel das famílias é determinante. A médica aconselha os pais a guardarem os medicamentos em locais seguros e, nos casos em que há prescrição de psicofármacos, a serem eles a administrar ou a supervisionar a toma. “Se o adolescente tem os medicamentos disponíveis no quarto, facilmente parte para uma atitude impulsiva”, alertou.
A supervisão do uso da internet é outro aspeto destacado pela pediatra. “Se não deixamos os nossos filhos andar sozinhos na rua, também não os podemos deixar sozinhos na internet”, defendeu. A aposta em atividades desportivas, culturais ou lúdicas que reduzam o tempo passado em redes sociais e jogos online é também uma forma de prevenção.
Contactada pela Lusa, a coordenadora do Centro de Informação Antivenenos do INEM, Fátima Rato, afirmou que não há registo de casos diretamente associados ao desafio viral do TikTok, mas confirmou a ocorrência de intoxicações intencionais com paracetamol entre adolescentes. Os números deste ano, segundo a responsável, são sensivelmente equivalentes aos dos anos anteriores. Fátima Rato lembrou ainda que doses muito elevadas podem provocar toxicidade hepática grave, podendo mesmo exigir transplante em situações extremas.



Como mãe, este artigo sobre o aumento das intoxicações em jovens no Santa Maria deixa-me muito apreensiva, especialmente pela facilidade de acesso a estes fármacos em casa. Estamos a planear mudar-nos para Espanha brevemente para estarmos mais próximos da família, e o bem-estar dos meus filhos é a minha prioridade. Alguém sabe se, ao tratar do processo em https://e-residence.com/it/nie-spain-online/marbella/, o registo do NIE para residentes facilita também o acesso imediato ao sistema de saúde pediátrico local para garantir este tipo de acompanhamento preventivo? Gostaria de saber se o apoio à saúde mental juvenil lá é tão acessível como indicam para os novos residentes.