Menezes: “Machadada” no Hospital de Gaia com fuga de médicos para o Porto

20 de Fevereiro 2026

O presidente da Câmara de Gaia considerou hoje “muito preocupante e grave” a intenção de criar um centro de cirurgia cardíaca no Hospital Santo António, Porto, acusando a unidade de tentar “esvaziar” o serviço de Gaia com propostas financeiras mais vantajosas aos profissionais

Luís Filipe Menezes falava aos jornalistas depois de tomar conhecimento de uma notícia do Diário de Notícias que dava conta de uma carta subscrita por quatro hospitais do Norte – Santo António, Vila Real, Matosinhos e Penafiel – a alertar a ministra da Saúde para as listas de espera de doentes cardíacos que aguardam cirurgia ou implantação da válvula aórtica. A missiva, segundo o matutino, expõe o panorama da cirurgia cardíaca na região e reclama uma solução para os tempos de espera.

O autarca social-democrata não tem dúvidas de que a criação de um novo centro no Porto teria como efeito imediato desmantelar aquilo que classificou como um serviço “de elite e de referência europeia e mundial” construído ao longo de anos no Hospital de Gaia. “É uma situação muito preocupante e grave porque significará uma machadada naquele serviço”, afirmou, referindo-se à intenção da ULS Santo António.

Menezes entende que a estratégia passa por aliciar clínicos de Gaia com ordenados mais elevados, complementos remuneratórios e benefícios fiscais. “Quando se quer levar à pressa dois ou três médicos muito qualificados da cirurgia cardíaca de Vila Nova de Gaia para o Santo António é uma machadada que pode levar a que acaba a cirurgia cardíaca em Vila Nova de Gaia”, sustentou, defendendo que a região deve manter apenas dois centros de referência – Gaia e São João – como é prática na Europa.

O presidente da câmara sublinhou ainda que o correto para o Serviço Nacional de Saúde é concentrar resposta de emergência em poucas unidades, em vez de multiplicar valências. “Nessas cidades por esse mundo fora, o que aconteceu é que esses hospitais localizados nos centros da cidade foram adaptados a hospitais de ambulatório e de consulta programada”, comparou, vincando que a emergência médica não se compadece com dificuldades de mobilidade urbana.

O diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica da ULS Gaia/Espinho já tinha feito esta semana um alerta semelhante. Em declarações à Lusa, Paulo Neves advertiu que a abertura de um novo centro na ULS Santo António “amputaria capacidade aos centros existentes”. O responsável explicou que o serviço está dimensionado para uma determinada produção e que a saída de profissionais para o Porto colocaria em risco a resposta 24 horas por dia, sete dias por semana, que atualmente é garantida.

Paulo Neves revelou que o Santo António tenta avançar com um centro de cirurgia cardíaca recrutando precisamente profissionais da sua instituição. “Isso coloca-nos aqui um grave problema porque, naturalmente, temos o serviço dimensionado de uma forma e corremos sérios riscos de deixar de ter capacidade para produzir como produzimos e cumprir os requisitos técnicos”, sublinhou.

Perante este cenário, Menezes apelou à mobilização de médicos do hospital, antigos diretores e autarcas de todos os partidos para protestarem contra a intenção. “Eu acho que, nesta altura, a união de toda a gente na defesa do hospital é muito importante”, defendeu, reconhecendo que a unidade de Gaia não tem capacidade para competir com as condições que estão a ser oferecidas aos seus profissionais para rumarem ao Porto. A concretizar-se a mudança, a cirurgia cardíaca em Gaia ficaria “muito comprometida”, rematou, considerando tratar-se de uma “enorme injustiça”.

NR/HN/Lusa

1 Comment

  1. Joaquim Manuel Gomes

    Descordo completamente da retirada dos cardiologistas da ULS Gaia/Espinho, para o Hospital Santo António, Porto.
    Em Gaia existe um centro de excelência a nível europeu e mundial.
    Esse é um jogo sujo.
    Apoio o Presidente da CMGaia, em todos os passos necessários nesta luta.
    Tenho razões objectivas para esta defesa, fui operado ao coração em Gaia, com uma equipa fora de série.
    P’ra frente na luta Presidente, conte comigo.

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