Técnicos de diagnóstico ameaçam paralisação se Ministério da Saúde não apresentar propostas

20 de Fevereiro 2026

O Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (Sindite) acusou esta quinta-feira o Ministério da Saúde de estar a protelar as negociações para a revisão da carreira e das tabelas remuneratórias. Depois de sucessivos adiamentos, a estrutura sindical admite recorrer a todas as formas de luta legalmente previstas caso o encontro marcado para 24 de fevereiro não resulte em avanços concretos

A última reunião entre as partes ocorreu a 7 de janeiro. As sessões negociais agendadas para 28 do mesmo mês e para 18 de fevereiro acabaram por não se realizar. Segundo o Sindite, a tutela justificou o cancelamento do encontro mais recente com a “necessidade de maturação da proposta”, remarcando-o para a próxima segunda-feira, dia 24. O discurso oficial caiu mal entre os representantes dos trabalhadores. “Esta sucessão de adiamentos revela falta de compromisso e de respeito institucional, agravando o clima de desmotivação e indignação entre os profissionais”, lê-se no comunicado enviado às redações.

A estrutura sindical não poupa críticas à forma como o processo tem vindo a ser conduzido. Fala mesmo em “falta de seriedade” e exige que a ministra assuma, com responsabilidade, a continuação efetiva das conversações. Caso a reunião de dia 24 não se realize ou, realizando-se, não apresente “propostas sérias e objetivas”, o Sindite admite “avançar para todas as formas de ação sindical legalmente previstas”. O tom é de alerta, mas também de cansaço: a malta está farta de promessas e quer ver resultados, confidenciou ao nosso jornal um dirigente sindal, sob condição de anonimato.

Os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica são, recorde-se, profissionais com formação superior especializada – muitos com mestrado e doutoramento – e asseguram áreas tão distintas quanto Análises Clínicas, Radiologia, Fisioterapia, Terapia da Fala ou Anatomia Patológica, para citar apenas algumas. Sem eles, o Serviço Nacional de Saúde simplesmente não funciona. O Sindite lembra que estes trabalhadores são “essenciais ao funcionamento do SNS” e que a desmotivação generalizada pode ter consequências diretas na qualidade dos serviços prestados à população.

A expectativa, para já, centra-se no próximo encontro. Se o Ministério da Saúde comparecer com propostas concretas ou se limitar a mais um exercício de retórica, é o que se verá. Uma coisa é certa: a paciência dos técnicos de diagnóstico e terapêutica esgotou-se. Ou a tutela vem com fatos, ou o braço de ferro vai apertar.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Estudo revela que 7 em cada 10 mulheres com enxaqueca hormonal não recebem tratamento personalizado

Um estudo da European Migraine and Headache Alliance (EMHA), realizado em colaboração com a MiGRA Portugal, revelou que 70% das mulheres que sofrem de enxaqueca hormonal não recebem um tratamento adaptado ao seu padrão de sintomas. A investigação envolveu 5.410 participantes de 13 países europeus, incluindo 464 respostas de Portugal, e foi apresentada recentemente no Parlamento Europeu.

Bastonário acusa Direção Executiva do SNS de limitar consultas e cirurgias em 2026

A Ordem dos Médicos manifestou preocupação com a orientação da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para travar, em 2026, o aumento de consultas e cirurgias nos hospitais e limitar o reforço de recursos humanos e financeiros, considerando que a medida poderá agravar a pressão já existente sobre o sistema e ter impacto negativo na resposta aos doentes.

Ordem dos Médicos lamenta morte de Joaquim Fidalgo Freitas

O antigo diretor do departamento de psiquiatria de Viseu e fundador da Associação Portuguesa para as Perturbações dos Desenvolvimento e Autismo (APPDA) de Viseu, Joaquim Fidalgo Freitas, morreu na segunda-feira aos 78 anos.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights