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Em declarações à Lusa, José Ilídio reagia à notícia de que quatro hospitais do Norte subscreveram uma carta a alertar a ministra da Saúde para as listas de espera de doentes com problemas cardíacos a necessitar de cirurgia ou de implantação da válvula da aórtica. O documento, avançado hoje pelo Diário de Notícias, é subscrito pelos serviços de cardiologia da ULS Santo António, no Porto, ULS do Tâmega e Sousa, ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro e ULS de Matosinhos.
José Ilídio confirmou ter subscrito a missiva, classificando-a como “um alerta à tutela” para um fenómeno que tem vindo a agravar-se: “Não tem havido uma diminuição da resposta dentro do SNS, mas há mais doentes para intervenção”. O médico sublinha que o aumento da procura resulta do envelhecimento populacional, particularmente acentuado na região que serve. “São 400.000 habitantes, uma grande percentagem envelhecidos, e portanto com uma prevalência muito grande destas doenças”, apontou.
O diretor do serviço de cardiologia da ULSTMAD defende que, desde que garantidos os requisitos técnicos, “faria sentido ter um centro com capacidade para este tipo de intervenções [percutâneas] em Vila Real”. Referia-se à implantação de próteses valvulares por via percutânea, procedimento que não implica cirurgia convencional e se assemelha a um cateterismo. “Os doentes com estas patologias têm vindo a aumentar e vão continuar a aumentar. Muitas intervenções podem agora ser feitas por via percutânea, sem cirurgia”, explicou.
Atualmente, os doentes com estas características são referenciados para dois centros de referência: a ULS São João, no Porto, e a ULS de Vila Nova de Gaia/Espinho. José Ilídio faz questão de salientar a qualidade da resposta obtida: “Nós temos uma resposta muito boa do serviço de Cirurgia Cardíaca de Vila Nova de Gaia, que é o nosso serviço de referência. São excecionais, respondem sempre que é preciso”. Ainda assim, admite que “é inevitável que haja doentes à espera”, uma vez que “o aumento de doentes candidatos é superior à capacidade de resposta”.
O médico transmontano afasta, contudo, qualquer intenção de esvaziar os centros existentes. “Não é um esvaziamento de serviços dos outros dois centros de referência”, garantiu, sublinhando que “o número justifica e permite tratamento com qualidade ‘in situ’ a esses doentes”. Para José Ilídio, a questão do acesso ganha contornos específicos no interior: “Só quem não conhece o interior é que pode pensar que não estão em causa doentes com muita dificuldade de acesso. E a dificuldade de acesso, às vezes, de Vila Real para o Porto, para o Litoral, para uma situação que exige avaliações pré e pós-seguimento, é muito mais complicado”.
Entretanto, o diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica da ULS Gaia/Espinho já veio alertar que a abertura de um novo centro de cirurgia cardíaca na região Norte, nomeadamente na ULS Santo António, “amputaria capacidade aos centros existentes”. À ULS Santo António é atribuída a ambição de vir a criar um centro de referência nesta área, enquanto o serviço de cardiologia da ULS Tâmega e Sousa esclareceu que não tem essa pretensão, tendo subscrito a carta para promover uma reflexão global sobre o tema.
A Lusa solicitou esclarecimentos a outros serviços de cardiologia de ULS da região Norte, bem como à Direção-Executiva do SNS, aguardando resposta.
NR/HN/Lusa



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