BE/Açores exige financiamento justo para hospitais e critica precariedade

21 de Fevereiro 2026

O BE/Açores defende um financiamento adequado para os três hospitais da região, com o objetivo de travar os défices recorrentes e a acumulação de dívidas. O partido alertou ainda para o elevado número de profissionais a recibos verdes no Serviço Regional de Saúde, pedindo estabilidade laboral

O BE/Açores insiste na necessidade de um financiamento que cubra as reais necessidades de funcionamento dos três hospitais da região – localizados em São Miguel, Terceira e Faial –, numa tentativa de pôr fim aos défices que, ano após ano, se repetem. A posição foi transmitida após uma reunião com a administração do hospital de Santo Espírito, na ilha Terceira, em Angra do Heroísmo, onde o deputado António Lima sublinhou a preocupação com a precariedade laboral.

O parlamentar bloquista referiu que, só na unidade terceirense, cerca de 76 trabalhadores estão a recibos verdes, a maioria dos quais enfermeiros. Apesar disso, o Governo Regional, liderado por José Manuel Bolieiro (PSD/CDS-PP/PPM), autorizou a contratação de apenas 16 profissionais. “Na prática, o Governo está a obrigar os hospitais a manter trabalhadores na precariedade, porque eles são precisos”, afirmou, citado em comunicado.

António Lima acrescentou que, no conjunto dos hospitais do Serviço Regional de Saúde, há cerca de 230 pessoas nesta situação. O deputado lembrou que, recentemente, foram regularizados mais de 500 trabalhadores que tinham sido contratados durante a pandemia de covid-19, mas o problema, disse, “volta a crescer de forma incompreensível”. Para o BE, o executivo estará a criar deliberadamente situações de precariedade para, mais tarde, as resolver através de processos extraordinários, ganhando capital político com isso.

Quanto às finanças hospitalares, o partido reconheceu como positivo o pagamento de uma dívida significativa a fornecedores, mas alertou que, sem um reforço do financiamento de base, o ciclo vicioso se repetirá. Os bloquistas criticaram ainda a falta de transparência em relação à operação financeira realizada, sublinhando que a dívida, na prática, não foi eliminada: apenas se transferiu para os bancos, com o agravante dos juros. “Os hospitais deixaram de ter dívidas aos fornecedores, mas passaram esta dívida para os bancos e vão ter de suportar juros elevados”, frisou António Lima.

A reunião com a administração do hospital da Terceira insere-se numa ronda de contactos que o BE/Açores está a realizar com as unidades de saúde da região, procurando recolher informações e apresentar propostas para o setor. O partido deverá continuar a insistir no parlamento regional por medidas que garantam, diz, um serviço público de saúde com estabilidade financeira e laboral.

NR/HN/Lusa

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