BE quer debate sobre saúde mental e alerta para falhas no apoio fora dos grandes centros

21 de Fevereiro 2026

O coordenador do Bloco de Esquerda defendeu hoje a necessidade de um debate nacional sobre saúde mental, sublinhando o impacto dos recentes episódios de mau tempo na população e a urgência de reforçar o apoio através do Serviço Nacional de Saúde, especialmente longe das grandes concentrações hospitalares. José Manuel Pureza falava em Viseu, após visitar o Centro de Apoio de Alzheimer

O país vive, nas palavras de José Manuel Pureza, um momento “multíssimo traumático” para uma parte significativa da comunidade, na sequência dos estragos e transtornos provocados pelo mau tempo. Esse cenário, defendeu, exige que se fale “muito a sério” sobre o equilíbrio emocional das pessoas, “sem tabus, mas com toda a coragem”. A declaração foi feita à agência Lusa, em Viseu, durante uma visita ao Centro de Apoio de Alzheimer, uma estrutura que o responsável local, José Carreira, classifica como única no distrito e na região Centro, prestando assistência a cerca de 500 pessoas.

O dirigente bloquista considerou que o exemplo da instituição visitada é paradigmático do esforço que associações e comunidades fazem para colmatar faltas. “Dão o melhor que têm e o melhor que há”, afirmou, mas sublinhou que a responsabilidade principal não pode recair apenas sobre essas iniciativas. Para Pureza, é imperativo desenhar uma política pública robusta, que integre a saúde mental nos cuidados de proximidade, designadamente através das unidades de saúde familiar (USF) e das unidades locais de saúde (ULS).

A ideia, explicou, é garantir que valências de saúde mental estejam disponíveis em todo o território. “Infelizmente isso não é o caso, designadamente fora das grandes concentrações hospitalares há défice de acompanhamento clínico destas situações”, apontou, deixando claro que o foco dessa resposta tem de ser o Serviço Nacional de Saúde. O problema, acrescentou, tem uma dupla face: é clínico, mas também social. Daí a necessidade de um diálogo consistente entre vários responsáveis para assegurar que as famílias e os doentes tenham um acompanhamento sólido e continuado.

Num tom que oscilou entre a constatação política e a preocupação social, Pureza insistiu na necessidade de “gente que tenha coragem de suscitar o problema” e, simultaneamente, “a bravura de estar ao lado de quem sofre dessas patologias”. O alerta foi deixado num contexto em que, apesar da aparente superação do episódio meteorológico extremo, os efeitos psicológicos, garante, permanecem e justificam uma abordagem sem hesitações por parte do Governo e dos poderes públicos.

NR/HN/Lusa

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