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“Para nós, entre as duas entidades, está resolvido. Foi um processo que durou 10 anos e que custou muitos milhares de euros à Associação dos Bombeiros Voluntários de Constância. Mas, neste momento, consideramos a situação resolvida”, declarou à Lusa o presidente da direção da corporação, Adelino Gomes, visivelmente aliviado com o desfecho. O entendimento alcançado permitiu regularizar pagamentos em dívida pelo extinto Centro Hospitalar do Médio Tejo, atualmente integrado na ULS, incluindo valores que estavam retidos como caução, e eliminou encargos mensais que há anos estrangulavam a tesouraria da associação.
Adelino Gomes sublinhou que o acordo, construído com concessões de ambas as partes, trouxe um alívio financeiro imediato às contas da corporação, afastando definitivamente o espectro da insolvência. A normalização da operação diária está agora em curso, com o pagamento a fornecedores e a manutenção dos serviços essenciais de transporte de doentes e socorro à população finalmente assegurados sem sobressaltos.
O dirigente recordou o período conturbado que a direção e os bombeiros atravessaram: “Durante o processo, três presidentes anteriores, incluindo eu, tiveram bens pessoais penhorados e a ULS chegou a interpor uma ação em tribunal reclamando dois milhões de euros por alegados incumprimentos do consórcio, situação que aumentou ainda mais a pressão sobre a direção e a gestão financeira da associação”. Agora, com o acordo, essas pendências foram resolvidas, com pagamentos efetuados diretamente à Caixa Geral de Depósitos, o que permitiu retirar a associação da lista negra do banco.
O conflito teve origem em 2014, quando a corporação denunciou publicamente dívidas relativas ao transporte de doentes, chegando a parar ambulâncias por falta de combustível. Nos anos seguintes, as reivindicações de valores, que atingiram cerca de um milhão de euros, arrastaram-se sem solução. Em 2019, o caso foi parar a tribunal e, em 2024, as penhoras decretadas chegaram a ameaçar a continuidade operacional da corporação. Apesar de tudo, os bombeiros nunca suspenderam o socorro, embora enfrentassem atrasos salariais e uma gestão financeira diária complicada, contando com o apoio pontual de fornecedores e da autarquia para não parar.
“Hoje conseguimos levantar um peso enorme das nossas costas, limpar o nome da associação junto do banco e assegurar a continuidade da nossa missão de socorro. Esta resolução permite-nos respirar e concentrar-nos no presente e no futuro da corporação, relançando um novo ciclo centenário”, afirmou Adelino Gomes, enaltecendo a união e a resiliência dos bombeiros. “Se hoje conseguimos chegar aqui foi graças ao apoio da Câmara, dos fornecedores que nunca nos viraram as costas e, sobretudo, dos nossos bombeiros, que aguentaram nos momentos mais difíceis e nunca deixaram a população sem resposta.”
Contactado pela Lusa, o presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo, Casimiro Ramos, classificou o acordo como “um momento histórico para a região”, alcançado graças a “diálogo persistente e responsabilidade”. Para o responsável, o entendimento reforça “a articulação institucional entre a ULS e os bombeiros como parceiros estratégicos” na prestação de cuidados e no transporte de doentes, consolidando uma relação que o litígio prolongado havia desgastado.
NR/HN/Lusa



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