Cuba à beira do colapso sanitário: bloqueio dos EUA ameaça doentes crónicos

21 de Fevereiro 2026

O ministro da Saúde de Cuba, José Ángel Portal Miranda, lançou um alerta: o sistema de saúde da ilha está à beira do colapso devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao fornecimento de petróleo. Numa entrevista à agência Associated Press, Portal afirmou que as sanções já não se limitam a prejudicar a economia, mas ameaçam diretamente a “segurança humana básica” dos cubanos, com especialistas a temerem uma catástrofe sanitária nas próximas semanas

O governante cubano detalhou que cerca de cinco milhões de pessoas que vivem com doenças crónicas poderão enfrentar uma escassez crítica de medicamentos ou o adiamento de tratamentos essenciais. Entre os casos mais preocupantes, 16 mil doentes oncológicos aguardam por radioterapia e outros 12.400 por quimioterapia, procedimentos que podem ser interrompidos a qualquer momento. “Não se pode prejudicar a economia de um Estado sem afetar os seus habitantes. Esta situação pode colocar vidas em risco”, sublinhou Portal na sexta-feira.

Os serviços de cardiologia, ortopedia, oncologia e os cuidados intensivos, que dependem de energia elétrica de reserva, estão entre os mais afetados. As ambulâncias de emergência e os tratamentos para doenças renais também passaram a integrar a lista de áreas sob pressão. O ministro admitiu que os problemas tendem a agravar-se nas próximas semanas, apesar dos esforços do governo para se adaptar, como a instalação de painéis solares em clínicas e a prioridade no atendimento a crianças e idosos.

Cuba sempre se orgulhou do seu modelo de saúde universal e gratuito, com farmácias comunitárias e clínicas de bairro que ofereciam medicamentos subsidiados. Mas a realidade mudou. Nos últimos anos, sobretudo desde a pandemia de covid-19, o sistema entrou em crise. Milhares de médicos emigraram, a escassez de remédios obrigou muitos pacientes a recorrer ao mercado negro e agora o corte energético agrava um cenário já frágil.

As autoridades impuseram restrições a tecnologias que consomem mais energia, como tomografias computorizadas e exames laboratoriais. Os médicos vêem-se forçados a utilizar métodos mais básicos, privando os doentes de cuidados de alta qualidade. “Estamos perante um cerco energético com implicações diretas para a vida dos cubanos, para a vida das famílias cubanas”, lamentou Portal.

Desde janeiro que Washington impõe um bloqueio energético a Havana, alegando ameaças à segurança nacional. A ilha, situada a apenas 150 quilómetros da Florida, enfrenta agora faltas generalizadas de alimentos e falhas elétricas que paralisam hospitais. O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou ainda impor tarifas aos países que vendam petróleo a Cuba, na sequência da captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, no início do ano, que levou à suspensão do envio de crude venezuelano para a ilha.

A comunidade internacional observa com apreensão a evolução da crise humanitária, enquanto os cubanos tentam sobreviver a mais um capítulo de um embargo que se arrasta há décadas.

NR/HN/Lusa

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