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A obtenção de amostras de tecido cerebral para diagnóstico implica quase sempre procedimentos neurocirúrgicos, nem sempre isentos de riscos ou sequer exequíveis, sobretudo em crianças ou em tumores localizados em regiões de difícil acesso. Agora, uma abordagem apresentada esta semana procura contornar essas limitações através de uma ferramenta computacional baptizada de M-PACT – sigla para Methylation-based Predictive Algorithm for CNS Tumours.
O objectivo do algoritmo é detetar e interpretar padrões moleculares no ADN sem células libertado pelas células tumorais para o líquido cefalorraquidiano. Trata-se de fragmentos genéticos em quantidades ínfimas, mas que, de acordo com os investigadores, preservam assinaturas epigenéticas suficientemente distintivas para permitir a classificação do tipo de tumor com elevada precisão. O trabalho envolveu uma colaboração estreita entre a MedUni Viena, o St. Jude Children’s Research Hospital, nos Estados Unidos, e o Hopp Children’s Cancer Center (KiTZ), em Heidelberg.
Os resultados até agora indicam que a concordância entre a classificação feita por M-PACT e as análises tradicionais baseadas em biópsias de tecido é elevada. Para além da caracterização inicial, a metodologia permitiu também acompanhar alterações genéticas ao longo do tempo, abrindo caminho para uma vigilância continuada da evolução da doença, da eventual resistência à terapêutica ou do surgimento de tumores secundários sem recorrer a novas cirurgias.
“Esta tecnologia demonstra que é possível fazer diagnósticos moleculares rigorosos na maioria dos tumores cerebrais pediátricos sem precisar de tecido tumoral”, sublinha Johannes Gojo, oncologista pediátrico da Universidade Médica de Viena e um dos autores principais do artigo. Gojo acrescenta que, no futuro, a abordagem poderá permitir diagnosticar certos tumores a partir de uma simples punção lombar antes de qualquer intervenção cirúrgica, além de facilitar um acompanhamento mais próximo e menos agressivo para os doentes.
A investigação baseou-se na análise de amostras provenientes de múltiplos centros internacionais, tendo sido validada por comparação com métodos de referência. Apesar dos resultados promissores, os autores reconhecem que a introdução do M-PACT na prática clínica corrente dependerá ainda da realização de estudos prospetivos adicionais, que confirmem a sua eficácia e segurança em contextos alargados e diversos.
Referência bibliográfica: New AI approach enables diagnosis and monitoring of brain tumours. Medical University of Vienna, 20 de fevereiro de 2026.
NR/HN/AlphaGalileo



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