PS/Açores aponta “incompetência” do executivo na reconstrução do hospital de Ponta Delgada

21 de Fevereiro 2026

O líder parlamentar do PS/Açores, Berto Messias, lamentou a falta de celeridade e clareza no processo de reestruturação do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), dois anos após o incêndio que afetou a unidade, responsabilizando o executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM pela demora na definição do projeto. O socialista esteve reunido com a administração hospitalar e apontou o dedo àquilo que classificou como incompetência ou manobras para ocultar dificuldades financeiras da região

O porta-voz da bancada socialista falava aos jornalistas esta manhã, depois de um encontro com a administração do HDES, em Ponta Delgada. Dois anos passados sobre o incêndio de maio de 2024, Berto Messias diz que permanecem por esclarecer as opções fundamentais do Governo dos Açores para a unidade. “Desconhecem-se as datas de quando é que vai ser lançado o procedimento, se vai haver um novo edifício, se é a requalificação do atual ou se haverá conjugação de infraestruturas entre o edifício atual e o Hospital Modular”, enumerou.

A reunião de hoje, explicou, serviu para recolher informação junto da administração, mas o dirigente socialista sublinha que faltam os elementos que deveriam chegar por via do executivo regional. Berto Messias recordou que o presidente do Governo, José Manuel Bolieiro, se comprometera a facultar à oposição o acesso a todo o processo, nomeadamente os planos funcionais e o relatório da comissão de análise. “Tudo o que depende do Governo dos Açores não anda ou anda devagarinho”, afirmou, numa crítica à morosidade dos trabalhos.

O deputado socialista quer igualmente perceber qual a articulação prevista entre o HDES e as unidades de Angra do Heroísmo e da Horta, defendendo que a clarificação desta matéria é essencial para os Açores. “A capacidade de termos um hospital renovado, bons serviços de saúde o mais depressa possível é, obviamente, muito relevante para o presente e para o futuro”, sustentou.

Numa resposta que deixou transparecer algum desagrado, Messias afirmou que o presidente do executivo “fala por meias palavras” quando aborda a saúde, e desafiou a secretária regional da Saúde, Mónica Seidi, a ser mais clara. O socialista foi mais longe ao caracterizar a atuação do governo: “Nalguns casos está-se a falar de incompetência e noutros de manobras dilatórias para tentar disfarçar uma situação financeira periclitante e muito constrangedora para a vida diária da região.”

Entretanto, a 9 de fevereiro, Bolieiro já tinha adiantado, após reunião com o Conselho de Ilha de São Miguel, que a solução deverá passar por aproveitar a “capacidade instalada” da infraestrutura modular erguida a seguir ao incêndio. O governante sublinhou que os planos funcionais em análise apontam para uma reorganização das áreas e valências no atual perímetro hospitalar, com reforço da componente ambulatória e alargamento de setores como a urgência, cuidados intensivos e bloco operatório . O relatório da comissão técnica criada para o efeito, liderada pelo médico Luís Maurício , já terá dado entrada no executivo, aguardando-se agora decisões concretas .

O incêndio de 4 de maio de 2024 obrigara à evacuação total de doentes para outras unidades nos Açores, Madeira e continente, seguindo-se a instalação de um hospital modular para assegurar a resposta imediata. O processo de reconstrução e redimensionamento tem sido marcado por avanços lentos e por um debate sobre a viabilidade financeira da obra, num contexto em que a própria administração hospitalar admitiu recentemente que as transferências regionais não cobrem a totalidade dos custos operacionais . Ainda assim, o novo presidente do conselho de administração, Carlos Lopes, manifestou a expectativa de que o concurso público para as obras possa avançar em setembro,

NR/HN/Lusa

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