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Os felinos pertenciam ao Tiger Kingdom, um espaço privado na província de Chiang Mai conhecido por permitir que visitantes interajam de perto com os animais. No sítio do parque na internet, promove-se a experiência de “abraçar, tocar e tirar fotografias” com os tigres, um atrativo turístico que agora levanta questões sobre as condições de saúde e segurança no local.
O Departamento Provincial de Pecuária de Chiang Mai divulgou, em comunicado, que os testes laboratoriais confirmaram a infeção mista. O vírus da esgana canina, que afeta normalmente cães e outros carnívoros, provou ser devastador para a população de tigres em cativeiro. A bactéria identificada agrava o quadro, atingindo em cheio o aparelho respiratório, o que dificultou ainda mais qualquer tentativa de intervenção.
“Quando os tigres adoecem, é mais difícil detetar a doença do que em animais como gatos ou cães”, explicou Somchuan Ratanamungklanon, diretor do Departamento de Pecuária da Tailândia, em declarações à imprensa local. “Quando percebemos que estavam doentes, já era tarde demais.” A constatação do responsável sublinha a fragilidade da monitorização veterinária em espécies selvagens mantidas em cativeiro, onde os sinais de doença podem passar despercebidos até se tornarem críticos.
A organização de defesa dos direitos dos animais PETA Ásia reagiu com dureza à tragédia. Em declarações à agência France-Presse, uma porta-voz afirmou: “Estes tigres morreram como viveram: em sofrimento, cativeiro e medo.” A organização aproveitou para deixar um apelo aos turistas, sugerindo que a procura por este tipo de atrações acaba por financiar práticas que colocam os animais em risco. “Se os turistas evitassem estes locais, rapidamente se tornariam inviáveis e tragédias como esta teriam muito menos probabilidade de ocorrer”, acrescentou.
O Tiger Kingdom, que já tinha sido alvo de críticas por parte de ativistas devido às condições de alojamento dos animais e à natureza das interações com o público, enfrenta agora a perda de mais de sete dezenas dos seus tigres. A dimensão do surto coloca em evidência os desafios sanitários inerentes à concentração de grandes predadores em espaços fechados e a proximidade forçada com humanos. As autoridades tailandesas não adiantaram, para já, que medidas sanitárias adicionais serão implementadas no parque ou se há risco de contágio para outros animais na região.
NR/HN/Lusa



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