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Ouvido pela Lusa em Loulé, após uma reunião com dirigentes da estrutura algarvia do instituto, o dirigente bloquista mostrou-se apreensivo com o futuro do serviço numa altura em que paira a ameaça de uma nova reconfiguração. O alerta surge na sequência das propostas apresentadas pela Comissão Técnica Independente (CTI) para a refundação do INEM, que sugerem a criação de uma central de atendimento única, fundindo o CODU e o SNS24, e a aposta em apenas três centrais regionais, localizadas em Lisboa, Porto e Coimbra.
Na prática, explicou Pureza, isso significaria “ignorar a existência deste serviço no Algarve” e representaria um retrocesso face ao que foi conquistado nos últimos anos. O político recordou que a autonomia da delegação, perdida em 2012 no período da ‘troika’, foi recuperada em 2023, e que agora se corre o risco de anular esse progresso. “Portanto, é irresponsabilidade pura acabar com este serviço, tirar-lhe a autonomia, tirar-lhe a sua existência própria”, reiterou, sublinhando o paradoxo de tal decisão numa altura em que, em maio do ano passado, foi inaugurado um novo edifício para a delegação, um investimento na ordem dos dois milhões de euros, numa cerimónia que contou até com a presença da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
Para o Bloco de Esquerda, a decisão que se desenha configura uma “machadada muito forte” no setor da saúde no Algarve, uma região já por si fragilizada por problemas estruturais. Pureza lembrou que a promessa do novo Hospital Central do Algarve é “uma promessa sempre adiada” e que a própria emergência médica se debate com a escassez de valências nas unidades existentes, obrigando com frequência ao transporte de doentes para Lisboa. “Há um ‘déficit’ grande de prestação, de garantia, de segurança […] neste território do país”, afirmou, ligando esta possível extinção a um contexto mais amplo de carências na região.
Apesar de ainda não haver qualquer anúncio formal por parte do Ministério da Saúde, o dirigente partidário exige uma clarificação urgente por parte da governante. “O Bloco está aqui para dizer à ministra da Saúde que não se atreva a seguir aquilo que está enunciado no relatório, porque isso é um atentado contra a segurança das pessoas no Algarve, contra o seu direito à saúde”, frisou, considerando que a situação não pode ficar num limbo. “É bem certo que a reestruturação do serviço de emergência médica no todo nacional deve levar o tempo que tem de levar […] mas há um alarme legitimamente criado na população do Algarve que precisa de ser aplacado rapidamente”, concluiu, deixando no ar a promessa de que o partido usará todos os meios ao seu dispor para travar a medida.
A delegação do INEM em Loulé, instalada na Cidadela da Segurança e Proteção Civil, alberga não só o CODU e gabinetes de coordenação, mas também um centro de formação e instalações operacionais, funcionando em estreita ligação com os Bombeiros Municipais e o heliporto ali existente, que serve de base aos helicópteros do instituto.
NR/HN/Lusa



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