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A população das freguesias do Topo e de Santo Antão, na ilha de São Jorge, está agora mais longe do socorro durante a noite. Desde 01 de janeiro que a secção destacada dos Bombeiros Voluntários da Calheta, localizada no Topo, encerra portas entre as 19:00 e as 08:00, deixando de garantir ali qualquer prevenção noturna. Quem precisa de ajuda nessas horas tem de esperar pelos meios que partem do quartel-sede, na vila da Calheta, a cerca de 30 quilómetros de distância.
A presidente da Junta de Freguesia do Topo, Noélia Brasil, não esconde a inquietação. Em declarações à Lusa, a autarca explicou que o problema não são apenas os quilómetros, mas sim o que eles escondem pelo caminho. “Nós temos uma situação, que é a serra do Topo, que é conhecida por todos pelos seus nevoeiros intensos e que prevalecem a maior parte do ano”, afirmou, sublinhando que este fenómeno meteorológico “dificulta e atrasa bastante a chegada dos bombeiros” a uma zona que, somando as duas freguesias, reúne cerca de mil habitantes. A preocupação, garante, estende-se às fajãs do concelho, de acesso difícil, onde qualquer minuto pode pesar na balança. “Não vamos esperar que aconteça uma desgraça para depois atuarmos”, rematou.
Do lado da corporação, a explicação é outra e assenta em questões de gestão e sustentabilidade. Numa nota escrita enviada à Lusa, a presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Calheta (AHBVC), Leocádia Silva, esclareceu que o serviço noturno que agora cessa nunca fez parte do dispositivo legal financiado pelo Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA). Esse dispositivo, diurno, “mantém-se nos exatos termos definidos e financiados”.
O que existia no período noturno era, segundo a dirigente, um esforço extra da própria associação, “adotado em contexto distinto, quando dispunha de recursos humanos e financeiros que permitiam assegurar, por iniciativa própria, um modelo de funcionamento adicional”. Um modelo que, com as atuais exigências legais de descanso dos operacionais e a necessidade de equilibrar as contas, se tornou impossível de manter. “A resposta operacional é assegurada através da gestão articulada dos meios disponíveis, de acordo com critérios técnicos e operacionais definidos, garantindo a capacidade de intervenção em qualquer período do dia ou da noite”, garantiu Leocádia Silva, assegurando que o socorro “está garantido” também no Topo e em Santo Antão.
A decisão, assume, “tem caráter definitivo”. Não há, para já, perspetiva de marcha atrás. Entretanto, o deputado do Chega/Açores eleito por São Jorge, José Brasil, já veio a público defender, em comunicado, que “é necessário encontrar uma solução para que a presença operacional no Topo volte a ser permanente”.
NR/HN/Lusa



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