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A vida tal como o mundo ou um país, é uma jornada em transição permanente e vasta, profundamente inconstante e cheia de contrastes imprevisíveis.
Naturalmente a moldagem pela percepção individual e também esta sob contínua evolução, como que constroem o que chamamos de realidade e pintam-na com as cores da observação.
Mas, em definitivo, é a nossa perspectiva que molda a realidade.
O modo como vemos e sentimos a vida, as suas alegrias ou tristezas, os problemas ou os sucessos, depende de quem somos e como nos sentimos.
Estamos a sair de uma fase trágica para o país, com a sucessão de tempestades que nos assolou durantes semanas consecutivas, engolindo pela água quanto esteve ao seu enorme alcance ou quebrando e tudo destruindo por ventos abomináveis por onde passaram.
As mortes ocorridas, directa ou indirectamente, o sofrimento no imediato e a prazo de boa parte do país, o volume de prejuízos pessoais, públicos, privados ou sociais, ou o ainda incalculável atingimento de estruturas físicas, acentuam e explicam o clima de catástrofe em que o país mergulhou de facto.
Compreensível e justificadamente, os jornais, rádios e televisões concentraram todos os recursos no noticiário, reportagens, comentários e comunicações nas consequências dos fenómenos meteorológicos brutais que assolaram Portugal.
A crise das urgências hospitalares do SNS e, em particular das obstétricas que, marcavam o quotidiano das pessoas afectadas e sublinhavam as preocupações de tanta gente, esfumaram-se repentinamente.
Como sempre acontece, na vida de cada um de nós e do país, como se viu de novo, a transição de um problema qualquer para um grande problema ou crise, pode acontecer em qualquer instante ou ocorrer da noite para o dia.
As inquietações e o desassossego que se sentiam e entendiam naturalmente, com a questão dos encerramentos rotativos de serviços e, obviamente com picos de reclamações em épocas específicas do ano e do calendário, os problemas com a assistência pré-hospitalar e a falta de macas para a transferência rápida dos doentes das ambulâncias para os serviços de acolhimento, as falta de profissionais de saúde no SNS – em quantidade e em condições de robustez física, tendo em consideração os dados de absentismo na Administração Pública, as fragilidades tecnológicas dos sistemas informáticos, que levaram à suspensão de consultas, de exames e de cirurgias, deixando a nu a vulnerabilidade das infraestruturas digitais do SNS, deixaram por semanas de abrir os serviços noticiosos.
O SIRESP, a rede de comunicações de emergência em Portugal, denotou uma vez mais as debilidades críticas já conhecidas, marcada pela falta de redundância energética em muitas estações base e pelas limitações na infraestrutura.
Enfim, as voltas da vida ou à volta do País?
O país continua a reagir, mas nunca a agir.
Sabemos que, para 2026, as verbas para a Saúde previstas no Orçamento Geral do Estado ultrapassavam os 17.3 mil milhões de euros, crescendo mais de 2.6% relativamente a 2025, mas com aumento expresso na despesa com remunerações.
O que significa, claramente, que o investimento em “acção” vai morrer solteiro, como diz o povo.
Portugal vai agora ter de rever prioridades. Obrigatoriamente e em nome da coesão e solidariedade nacional.
The Economist, a revista que destacou Portugal como a economia com melhor desempenho em 2025, foi explícita ao afirmar o resultado como espelho do foco no turismo e na atracção de residentes estrangeiros por impostos mais baixos, mas isso não basta nem faz do nosso território um país rico!
À volta do País com as voltas da vida.


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