Governo avança com urgências regionais de obstetrícia já em março

24 de Fevereiro 2026

A ministra da Saúde confirmou esta terça-feira o encerramento da urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro, no âmbito da criação das primeiras urgências regionais, que deverão arrancar em março na Península de Setúbal, Loures e Vila Franca de Xira. Ana Paula Martins garantiu que os partos programados se mantêm na unidade e que a solução foi desenhada com os clínicos

A audição regimental de Ana Paula Martins na Comissão de Saúde, esta manhã, ficou marcada pelo anúncio da reconversão do mapa de urgências, com a governante a revelar que as primeiras urgências externas de âmbito regional vão arrancar em breve, centralizando respostas na obstetrícia e ginecologia. A ministra apontou para a Península de Setúbal — com centralização no Hospital Garcia de Orta, em Almada — e para as ULS de Vila Franca de Xira e Beatriz Ângelo, em Loures. “Vai ser em março, não posso dizer se será no dia 16 ou 17”, precisou, perante os deputados, citada pela Lusa.

A decisão implica o fecho da urgência do Barreiro, unidade que, segundo a ministra, tem sujeitado os profissionais a um “esforço desumano” sempre que se tentou manter em funcionamento as três urgências da península em regime de rotatividade. “A urgência do Barreiro vai fechar porque não tem condições para se manter aberta”, afirmou, sem rodeios. Mas fez questão de sublinhar que o hospital “não vai deixar de fazer o seu trabalho” e que “vão continuar a nascer bebés no Barreiro, obviamente”, assegurando a continuidade dos partos programados e da atividade diferenciada da unidade.

A ministra garantiu que o processo foi “diretamente trabalhado com os profissionais no terreno”, que terão sido chamados a participar na definição das soluções. “Não estamos a impor modelos administrativos desligados da realidade clínica, mas sim respostas com quem conhece os serviços, as equipas e as necessidades das populações”, disse, numa tentativa de desarmar críticas de eventual centralização ou de decisões tomadas em gabinete. Reiterou, a propósito, que “reorganizar urgências na área da saúde materna e da criança exige prudência, diálogo e responsabilidade”.

Ao longo da audição, a governante adiantou ainda que o modelo não ficará confinado à ginecologia e obstetricia. Numa fase mais avançada da discussão, e a propósito das reformas estruturais, revelou que também estão previstas urgências regionais de cirurgia e ortopedia, áreas particularmente afectadas pela carência de médicos especialistas.

Já no campo dos números, Ana Paula Martins apresentou os resultados provisórios de 2025, que indicam um crescimento de 2,2% nas consultas (14,1 milhões) e um recorde de 784.580 cirurgias, mais 1,3% do que no ano anterior. Apesar do aumento da actividade, reconheceu que as listas de espera cirúrgica cresceram, justificando o fenómeno com a maior procura: as novas inscrições aumentaram em cerca de 13.668, ultrapassando as 10.600 cirurgias adicionais realizadas. “Este dado não traduz menor capacidade de resposta, pelo contrário, reflete uma maior procura do sistema: mais consultas realizadas, mais diagnósticos efetuados e maior referenciação para cirurgia”, explicou, mencionando ainda os dois picos de gripe que afectaram o desempenho em 2025.

A ministra não escapou às críticas da oposição. Mariana Vieira da Silva, do PS, contestou a leitura optimista das contas, e deputados do Chega e do PCP lembraram que “os números podem ter a leitura que se pretende”, insistindo na falta de respostas concretas e no atraso na aprovação dos termos de referência das ULS para 2026. Ana Paula Martins contra-argumentou que a transformação do SNS “é uma obra sempre inacabada” e que “há de facto muito ainda a fazer”, mas defendeu que os indicadores mostram uma evolução positiva.

NR/HN/Lusa

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