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A chegada do robot cirúrgico à região representa mais do que a estreia de um equipamento. Traz consigo um processo de credenciação internacional que envolveu equipas médicas e de enfermagem, e uma lógica de implementação progressiva, começando pelos procedimentos mais correntes até se chegar à oncologia. Quem passa pelos corredores do hospital nota a diferença: há uma expectativa contida, mas também a perceção de que se está a escrever um capítulo novo na história da saúde no Médio Tejo.
Firmo Mineiro, cirurgião e responsável pelo Departamento Cirúrgico da ULS Médio Tejo, não esconde a importância do momento. “A introdução da cirurgia robótica foi preparada de forma rigorosa, com formação e credenciação internacional das equipas, garantindo todas as condições de segurança. A cirurgia oncológica agora realizada demonstra a maturidade do processo e abre caminho à consolidação e expansão progressiva desta tecnologia nas diferentes áreas cirúrgicas”, sublinha.
A tecnologia, que representa uma evolução da laparoscopia, permite maior precisão técnica e melhor visualização do campo operatório. Para os doentes, a abordagem minimamente invasiva pode significar uma recuperação pós-operatória mais rápida. Os profissionais ganham em estabilidade e controlo durante o ato cirúrgico, o que não é pouco quando se lida com estruturas anatómicas complexas.
No caso concreto da oncologia, as vantagens ganham contornos específicos. “A cirurgia robótica permite-nos operar com maior precisão e melhor visualização das estruturas anatómicas, o que é particularmente relevante quando falamos de margens cirúrgicas e preservação de tecidos”, explica ainda Firmo Mineiro, destacando o que verdadeiramente importa nestes procedimentos.
O presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo, Casimiro Ramos, enquadra a novidade num plano mais vasto. “A realização da primeira cirurgia oncológica com recurso a tecnologia robótica no Hospital de Tomar assinala um momento histórico para a ULS Médio Tejo e para toda a região. Este é mais um passo num ciclo consistente de investimentos na modernização tecnológica das nossas três unidades hospitalares, que tem vindo a reforçar a sua diferenciação clínica e a sua capacidade de atrair profissionais qualificados”, afirma.
Nos últimos anos, a instituição canalizou mais de nove milhões de euros para melhorias estruturais e tecnológicas. A nova Ressonância Magnética no Hospital de Abrantes, a requalificação energética com painéis fotovoltaicos, a renovação da rede de águas e a modernização das áreas de Consulta Externa e da Urgência Médico-Cirúrgica são algumas das apostas. Cada unidade vai ganhando a sua identidade: Abrantes consolida-se como resposta ao doente crítico e em situação de urgência, Tomar afirma-se como centro cirúrgico de excelência e Torres Novas como centro clínico de referência, dedicado à consulta de especialidade e à cirurgia de ambulatório.
“Estamos a consolidar um projeto sustentado de crescimento e qualificação dos cuidados prestados à população do Médio Tejo. A diferenciação tecnológica é essencial para aumentar a capacidade de resposta clínica e para tornar os nossos hospitais mais competitivos e atrativos no contexto do Serviço Nacional de Saúde”, conclui Casimiro Ramos.
A atividade com o robot cirúrgico decorre ainda sob programa contínuo de credenciação, definido pela entidade responsável pelo equipamento, num processo que visa consolidar a experiência das equipas de forma segura e progressiva. Para já, as sete cirurgias realizadas são o primeiro fruto de um investimento que promete mudar a forma como se opera na região.
PR/HN/MM



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