![]()
A partir desta segunda-feira, os lisboetas ganham uma nova ferramenta no combate a uma das doenças oncológicas mais mortíferas em Portugal. Em 126 farmácias espalhadas pelo concelho, estão a ser distribuídos gratuitamente 4.000 kits de rastreio do cancro colorretal, numa iniciativa que se prolonga até 31 de março. A operação, que arrancou hoje, insere-se na campanha “Lisboa unida na luta contra o cancro colorretal” e resulta de uma parceria entre a MovSaúde – Associação Pela Prevenção da Doença Oncológica, a Europacolon Portugal e a Associação Nacional das Farmácias, contando ainda com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa.
A escolha do mês de fevereiro para o arranque não é inocente: assinala-se, por estes dias, o mês internacional de prevenção da doença. Mas há mais: os números continuam a justificar, por si sós, a urgência de levar o rastreio para fora dos hospitais e centros de saúde. Segundo os dados mais recentes do Global Cancer Observatory, vinculado à Organização Mundial de Saúde, Portugal regista anualmente qualquer coisa como 10.000 novos casos de cancro colorretal. É o cancro mais prevalente no país, ultrapassando até o da mama e o da próstata em termos de incidência global.
A particularidade mais traiçoeira desta patologia reside no seu silêncio. Durante muito tempo, mesmo quando já instalado, o tumor não se manifesta. Não provoca dores, nem alterações de grande monta. Quando os sintomas finalmente aparecem, a doença encontra-se já, não raras vezes, num estado avançado. E o contraste nos prognósticos é brutal: se apanhado cedo, a taxa de sobrevivência aos cinco anos ultrapassa os 90%; se diagnosticado tardiamente, já com metástases à mistura, essa percentagem afunda-se para valores inferiores a 15%.
Há, contudo, outro fenómeno que tem deixado os especialistas de sobreaviso: o aumento da incidência em adultos mais jovens, algo que a literatura científica internacional já vai documentando. Daí que os critérios de elegibilidade para este rastreio específico abranjam pessoas entre os 45 e os 74 anos, desde que assintomáticas e sem historial de cancro colorretal, síndromes hereditárias associadas ou doença inflamatória intestinal. Ficam de fora, também, quem tenha realizado exames de rastreio recentemente.
O problema do rastreio organizado em Portugal é que ainda não cobre a totalidade do território. E mesmo onde existe, a adesão fica aquém do desejável. Iniciativas como esta, pegando no mapa das farmácias comunitárias, tentam colmatar essa falha, aproximando o diagnóstico de quem, de outra forma, talvez nunca o fizesse. A MovSaúde, que promove a campanha, sublinha que a literacia em saúde e o acesso fácil são determinantes para virar a página da mortalidade por esta causa.
Aos participantes com resultado positivo, a Europacolon Portugal promete não os deixar sem resposta: acompanhamento, informação clara e orientação para as etapas seguintes, incluindo o encaminhamento para avaliação clínica. Porque o rastreio, por si só, não resolve – é preciso garantir que quem precisa entra na máquina do sistema de saúde.
Quem quiser saber qual é a farmácia aderente mais próxima, pode consultar o localizador disponibilizado online. Basta ir ao sítio das farmácias portuguesas e procurar pelo serviço de rastreio do cancro colorretal.
PR/HN/MM



0 Comments