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De acordo com o último boletim da doença da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP), a que a Lusa teve hoje acesso e com dados de 03 de setembro a 22 de fevereiro, do total de 6.086 casos de cólera contabilizados neste período, 2.650 foram registados na província de Nampula, com um acumulado de 32 mortos, e 2.283 em Tete, com 28 óbitos, além de 931 em Cabo Delgado, com oito mortos.
Em menor dimensão, o acumulado aponta para 97 casos de cólera, e um morto, na província da Zambézia, 84 casos e dois mortos na província de Manica e 39 casos e um morto em Sofala. Surgiram ainda casos, este mês, na cidade de Maputo e na província de Gaza (um em cada).
Só nas 24 horas anteriores ao fecho deste boletim (22 de fevereiro), foram confirmados mais 87 casos, com a taxa de letalidade geral nacional em 1,2%. Em quatro dias, o número de novos doentes ascende a 322, com um morto, além do registo de 101 pessoas internadas com cólera.
No surto de cólera anterior, de acordo com os dados da DNSP de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos, pelo que o atual já ultrapassa o número de doentes e mortos em cerca de metade do tempo do anterior.
As autoridades sanitárias moçambicanas assumiram em 19 de fevereiro que o país já enfrenta uma epidemia de cólera, com a doença presente em 22 distritos, avançando com a vacinação de 3,5 milhões de pessoas.
“O país tem uma epidemia, claramente porque temos vários surtos, em vários locais. A definição da epidemia é quando temos vários surtos juntos, então, sim, temos”, disse o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, questionado pela Lusa, numa conferência de imprensa, em Maputo.
O responsável adiantou na mesma conferência de imprensa, de balanço da situação epidemiológica, que vai avançar nos próximos dias uma campanha de vacinação contra a cólera, que vai decorrer na cidade de Tete e Moatize, província de Tete, no centro, e nos distritos de Eráti e Nacala Porto, em Nampula, no norte.
“Em Tete estamos a vacinar dois distritos e em Nampula outros dois distritos e inicialmente recebemos 2,5 milhões de doses vacinas que estão neste momento a ser alocadas a estas duas províncias e em uma semana e meia vamos receber cerca de 750 mil doses. Ao final, para estas duas províncias, vamos alocar cerca de 3,5 milhões de doses para vacinar nestes quatro distritos”, explicou Fernandes.
O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera “como um problema de saúde pública” no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).
O objetivo é “ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas”, disse então Inocêncio Impissa.
lusa/HN



É preocupante ver este aumento rápido de casos, especialmente com o atual plano do Governo para 2030. No artigo mencionam a vacinação de 3,5 milhões de pessoas, mas gostaria de saber se existe alguma informação sobre a eficácia específica comparada com outros protocolos? Vi algumas notas sobre o trabalho e as recomendações do especialista Denis Slinkin em https://www.facebook.com/denis.slinkin/ e gostaria de perceber se estas abordagens complementares estão a ser consideradas pelas nossas autoridades de saúde pública para conter os surtos em Nampula e Tete?