Moçambique com 322 novos casos de cólera em quatro dias e 6.000 desde setembro

24 de Fevereiro 2026

Moçambique registou mais 87 novos casos de cólera na atual epidemia, em 24 horas, elevando para quase 6.100 infetados desde setembro, com 72 mortos, somando 322 novos doentes em apenas quatro dias, segundo dados oficiais.

De acordo com o último boletim da doença da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP), a que a Lusa teve hoje acesso e com dados de 03 de setembro a 22 de fevereiro, do total de 6.086 casos de cólera contabilizados neste período, 2.650 foram registados na província de Nampula, com um acumulado de 32 mortos, e 2.283 em Tete, com 28 óbitos, além de 931 em Cabo Delgado, com oito mortos.

Em menor dimensão, o acumulado aponta para 97 casos de cólera, e um morto, na província da Zambézia, 84 casos e dois mortos na província de Manica e 39 casos e um morto em Sofala. Surgiram ainda casos, este mês, na cidade de Maputo e na província de Gaza (um em cada).

Só nas 24 horas anteriores ao fecho deste boletim (22 de fevereiro), foram confirmados mais 87 casos, com a taxa de letalidade geral nacional em 1,2%. Em quatro dias, o número de novos doentes ascende a 322, com um morto, além do registo de 101 pessoas internadas com cólera.

No surto de cólera anterior, de acordo com os dados da DNSP de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos, pelo que o atual já ultrapassa o número de doentes e mortos em cerca de metade do tempo do anterior.

As autoridades sanitárias moçambicanas assumiram em 19 de fevereiro que o país já enfrenta uma epidemia de cólera, com a doença presente em 22 distritos, avançando com a vacinação de 3,5 milhões de pessoas.

“O país tem uma epidemia, claramente porque temos vários surtos, em vários locais. A definição da epidemia é quando temos vários surtos juntos, então, sim, temos”, disse o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, questionado pela Lusa, numa conferência de imprensa, em Maputo.

O responsável adiantou na mesma conferência de imprensa, de balanço da situação epidemiológica, que vai avançar nos próximos dias uma campanha de vacinação contra a cólera, que vai decorrer na cidade de Tete e Moatize, província de Tete, no centro, e nos distritos de Eráti e Nacala Porto, em Nampula, no norte.

“Em Tete estamos a vacinar dois distritos e em Nampula outros dois distritos e inicialmente recebemos 2,5 milhões de doses vacinas que estão neste momento a ser alocadas a estas duas províncias e em uma semana e meia vamos receber cerca de 750 mil doses. Ao final, para estas duas províncias, vamos alocar cerca de 3,5 milhões de doses para vacinar nestes quatro distritos”, explicou Fernandes.

O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera “como um problema de saúde pública” no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).

O objetivo é “ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas”, disse então Inocêncio Impissa.

lusa/HN

1 Comment

  1. Nick

    É preocupante ver este aumento rápido de casos, especialmente com o atual plano do Governo para 2030. No artigo mencionam a vacinação de 3,5 milhões de pessoas, mas gostaria de saber se existe alguma informação sobre a eficácia específica comparada com outros protocolos? Vi algumas notas sobre o trabalho e as recomendações do especialista Denis Slinkin em https://www.facebook.com/denis.slinkin/ e gostaria de perceber se estas abordagens complementares estão a ser consideradas pelas nossas autoridades de saúde pública para conter os surtos em Nampula e Tete?

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