Natália Oliveira: “Construir pontes entre especialidades e gerações é a chave para o futuro da autoimunidade”

02/24/2026
A menos de quatro meses do XII Congresso Nacional de Autoimunidade, que decorre em Penafiel de 17 a 20 de junho de 2026, a presidente do encontro, Natália Oliveira, antecipa uma edição marcada pela inovação formativa, pela multidisciplinaridade e pela aproximação à comunidade. Em entrevista exclusiva, a médica destaca o lema “Building Bridges to the Future” como reflexo de uma visão estratégica centrada na colaboração entre gerações, especialidades e instituições.

HealthNews (HN) – Quais são as principais expectativas para a XII edição do Congresso Nacional de Autoimunidade, que decorre de 17 a 20 de junho de 2026, e que metas a organização definiu para este ano?

Natália Oliveira (NO) – A XII edição do Congresso Nacional de Autoimunidade representa um momento particularmente importante para a consolidação do papel do NEDAI como principal fórum nacional de formação, atualização científica e partilha multidisciplinar na área das doenças autoimunes. Sob o lema “Building Bridges to the Future”, este congresso reflete uma visão estratégica centrada na construção de pontes entre especialidades, entre gerações de médicos, entre centros hospitalares e entre a ciência e a prática clínica. Entre as principais metas desta edição destaca-se o reforço da excelência científica, com um programa equilibrado entre inovação e aplicabilidade clínica, a promoção da colaboração nacional e internacional e o estímulo à participação ativa de jovens médicos e investigadores. Paralelamente, esta edição assume também um forte compromisso com a descentralização do conhecimento e com o envolvimento da comunidade, beneficiando do apoio institucional e estratégico da Câmara Municipal de Penafiel, cuja colaboração tem sido fundamental para integrar o congresso numa iniciativa mais ampla de promoção da saúde e literacia científica.

HN – O programa inclui várias novidades e iniciativas dedicadas às doenças autoimunes. Quais são as inovações que destacaria nesta edição?

NO – Uma das grandes mais-valias desta edição é o investimento claro na componente formativa, com um programa pré-congresso particularmente rico e inovador. Destaca-se a realização de cursos dedicados a áreas fundamentais, como a atualização em síndrome antifosfolipídica, bem como iniciativas orientadas para o reforço da articulação com os cuidados de saúde primários, promovendo uma melhor referenciação e uma abordagem mais precoce destas patologias. Um elemento especialmente inovador é o Clinical Escape Game, um formato pedagógico imersivo que alia o raciocínio clínico ao trabalho em equipa, proporcionando uma experiência formativa diferenciadora e altamente interativa. Este tipo de abordagem reflete a aposta do NEDAI em modelos de ensino modernos, centrados na participação ativa e no desenvolvimento de competências clínicas práticas. Adicionalmente, a integração do congresso na Semana da Saúde de Penafiel, com sessões dirigidas à comunidade e aos doentes, constitui um exemplo notável de aproximação entre a medicina, os doentes e a sociedade, possível graças ao forte envolvimento e apoio da autarquia.

HN – Que temas científicos foram selecionados como centrais para o congresso de 2026 e porque é que estes assumem particular relevância neste momento?

NO – O programa científico foi cuidadosamente estruturado para refletir os avanços mais recentes e os desafios emergentes na área da autoimunidade. Serão abordados temas como a aplicação da inteligência artificial e do big data na prática clínica, as novas abordagens terapêuticas, incluindo terapias celulares e génicas, o papel do microbioma, e os avanços no diagnóstico precoce e na estratificação de risco. Serão também discutidas doenças de elevada relevância clínica, como o lúpus eritematoso sistémico, as vasculites, a síndrome antifosfolipídica, a síndrome de Sjögren, as miopatias inflamatórias e a esclerose sistémica, bem como aspetos transversais fundamentais, incluindo comorbilidades, infeções, adesão terapêutica e saúde mental. Estes temas assumem particular importância num momento em que assistimos a uma rápida evolução das opções terapêuticas e a uma crescente compreensão dos mecanismos imunopatológicos, permitindo uma abordagem cada vez mais personalizada e com impacto significativo no prognóstico dos doentes.

HN – Que contributos espera das sessões científicas e mesas-redondas para a atualização do conhecimento em diagnóstico, terapêutica e abordagem multidisciplinar das doenças autoimunes?

NO – Espera-se que este congresso contribua de forma significativa para a atualização científica e para a melhoria da prática clínica, promovendo uma abordagem mais integrada e informada destas doenças complexas. A diversidade dos temas e a qualidade dos intervenientes permitirão não só rever os avanços mais recentes, mas também discutir desafios práticos do dia a dia, desde o diagnóstico precoce até à gestão de doentes com doença complexa ou refratária. A abordagem multidisciplinar será um eixo central, refletindo a realidade clínica destas patologias e a necessidade de colaboração entre diferentes especialidades.

HN – Há oradores ou sessões especiais que considere particularmente marcantes nesta edição? O que poderão os participantes esperar?

NO – Esta edição distingue-se pela participação de um conjunto notável de especialistas, tanto internacionais como nacionais, refletindo a crescente afirmação de Portugal na área da autoimunidade. Teremos o privilégio de contar com especialistas internacionais de reconhecida excelência, que trarão uma perspetiva global e atualizada sobre temas como nefrite lúpica, vasculites, síndrome de Sjögren e terapêuticas emergentes. Mas é igualmente importante destacar a forte representação nacional, com especialistas portugueses que são referências nas suas áreas e que têm contribuído ativamente para o avanço do conhecimento e da investigação em autoimunidade. Esta combinação de experiência internacional e excelência nacional constitui uma das grandes forças deste congresso e garante um programa cientificamente muito sólido e relevante para a nossa realidade clínica. Destacam-se também sessões dedicadas ao futuro da autoimunidade, à colaboração internacional e à integração entre ciência e cuidados clínicos, refletindo uma visão abrangente e orientada para o futuro.

HN – Como tem evoluído a participação da comunidade médica e científica nestes congressos e quais são as expectativas de adesão para 2026?

NO – Temos assistido, ao longo das últimas edições, a um crescimento muito consistente da participação nos congressos do NEDAI, o que reflete claramente o interesse crescente na área das doenças autoimunes e o reconhecimento da relevância científica e formativa destas reuniões. É particularmente gratificante verificar uma participação cada vez mais alargada e diversificada, envolvendo médicos, investigadores e outros profissionais de saúde, bem como um número crescente de colegas em formação. Esta diversidade enriquece significativamente a discussão científica e reflete a natureza necessariamente multidisciplinar da abordagem destas doenças. Para 2026, as expectativas são muito positivas. Acreditamos que a qualidade do programa científico, a atualidade dos temas abordados e a forte componente formativa contribuirão para uma elevada adesão e uma participação ativa. Mais do que um congresso, este será um espaço de encontro, partilha e construção de colaboração entre todos os que se dedicam à área da autoimunidade.

HN – O congresso reforça o papel da investigação e da colaboração entre várias especialidades. De que forma esta abordagem integrada pode transformar o acompanhamento dos doentes com doenças autoimunes em Portugal?

NO – A investigação e a colaboração são pilares essenciais para melhorar o diagnóstico, o tratamento e o prognóstico das doenças autoimunes, que, pela sua complexidade e heterogeneidade, exigem uma abordagem integrada e uma estreita articulação entre diferentes centros e profissionais. Este congresso reflete precisamente esse compromisso de construir pontes — entre instituições, entre áreas do conhecimento e entre a investigação e a prática clínica. Constitui um espaço privilegiado para a partilha de projetos de investigação e experiência clínica, promovendo o reforço da colaboração entre centros e incentivando o desenvolvimento de iniciativas conjuntas com impacto real na prática clínica. Ao fortalecer esta colaboração e ao fomentar uma maior articulação entre instituições, estamos a contribuir para um diagnóstico mais precoce, uma abordagem terapêutica mais adequada e uma medicina cada vez mais personalizada. Este é um passo fundamental para melhorar a qualidade dos cuidados e, sobretudo, o prognóstico e a qualidade de vida das pessoas que vivem com doenças autoimunes em Portugal.

HN – Que mensagem gostaria de deixar aos profissionais que ainda ponderam inscrever-se? O que torna esta edição de 2026 particularmente imperdível?

NO – Esta edição do Congresso Nacional de Autoimunidade representa uma oportunidade única de atualização científica e de contacto com especialistas de referência, tanto nacionais como internacionais, num ambiente de partilha, aprendizagem e colaboração. O investimento na componente formativa, com cursos pré-congresso de elevada qualidade, o programa científico abrangente e inovador e o envolvimento da comunidade tornam este congresso particularmente especial. O apoio da Câmara Municipal de Penafiel e a integração na Semana da Saúde conferem também uma dimensão mais ampla a este evento, reforçando a ligação entre a medicina e a sociedade. Convidamos todos os colegas a juntarem-se a nós em Penafiel e a fazerem parte deste encontro que pretende, verdadeiramente, contribuir para o futuro da autoimunidade em Portugal.

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