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A Associação Portuguesa de Sono (APS) divulga, no âmbito do Dia Mundial do Sono que se assinala a 13 de março, dados que confirmam uma realidade que teima em não mudar: metade da população portuguesa dorme menos de seis horas por noite, ficando aquém das sete a nove horas recomendadas para adultos – para idosos, a meta situa-se entre as sete e oito, e para crianças, entre as nove e onze. A APS associa-se à campanha global da World Sleep Society, “Sleep Well, Live Better”, adoptando o mote nacional “Dormir bem para viver melhor”, numa tentativa de sublinhar que o sono de qualidade é, mais do que um luxo, um pilar fundamental para uma vida equilibrada .
Apesar de a consciência sobre a importância do descanso ter aumentado, as horas efetivas de sono não acompanham essa perceção. A convergência entre o ruído urbano, o stresse ocupacional e a desregulação de horários tornou-se parte do quotidiano, degradando progressivamente a qualidade do repouso. O mercado tem respondido com a procura de soluções alternativas – desde cobertores pesados e suplementação natural a almofadas com memória de forma e têxteis termorreguladores. Contudo, o maior destaque vai para a tecnologia vestível, como smartwatches e anéis inteligentes, usados na tentativa de monitorizar e controlar o sono. Sobre esta tendência, Daniela Sá Ferreira, presidente da direção da APS e pneumologista na Unidade Local de Saúde Gaia e Espinho, deixa um alerta: embora estes dispositivos forneçam dados úteis e ajudem a criar consciência para a necessidade de dormir mais e melhor, “não têm validade científica e não substituem exames médicos” . A especialista sublinha que a solução para um sono reparador reside, primordialmente, na biologia e no comportamento.
Para a APS, o rigor nos horários é tão vital para a saúde como a alimentação ou o exercício físico. É durante o repouso que o corpo atravessa ciclos essenciais de recuperação física e cognitiva. “A rotina é fundamental; o nosso corpo precisa de saber a que horas vamos dormir. Se mantivermos uma rotina adequada, com horários fixos para deitar e acordar, o corpo entende melhor o processo, permitindo adormecer mais rapidamente e reduzir o número de despertares noturnos”, explica Daniela Sá Ferreira.
Para quebrar o ciclo de cansaço crónico, a pneumologista defende a adoção de medidas práticas de higiene do sono, frisando que pequenos ajustes no ambiente produzem resultados biológicos imediatos. “É crucial preparar o corpo para o desligamento. Recomendamos que o quarto seja um santuário: escuro, silencioso e com temperatura amena”, afirma. A especialista acrescenta ainda que a “regra de ouro” para o sucesso destas rotinas é a desconexão: “A luz azul dos ecrãs deve ser evitada pelo menos uma hora antes de deitar, substituindo-a por rituais de relaxamento, como a leitura, um banho morno ou meditação. Estas ações sinalizam ao cérebro que é tempo de abrandar e entrar em modo de repouso.”
Para celebrar a efeméride, a APS preparou um conjunto de atividades que unem a educação à mobilização nacional. No plano educativo, destaca-se o concurso de desenho infantil “Boas noites começam com boas rotinas”, em parceria com a European Sleep Research Society (ESRS), cujos vencedores serão anunciados durante as comemorações. A 14 de março, a APS e o Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) lançam o livro “Uma Viagem Ilustrada ao Mundo do Sono”, que reúne quadras e ilustrações de jovens do 1.º ciclo ao 12.º ano de várias escolas do país. O evento decorrerá em simultâneo no Porto (Casa do Infante, às 14h30) e em Lisboa (Centro de Informação Urbana de Lisboa, às 15h00), com o apoio das respetivas câmaras municipais . Após o lançamento, a versão digital ficará disponível para consulta no site da associação. As restantes comemorações, desenvolvidas em colaboração com o CNC-UC, estendem-se de norte a sul, com eventos presenciais em Lisboa, Porto e Coimbra .
Paralelamente, a APS reforça a sua presença online com a campanha “Dormir bem para viver melhor”, que inclui o lançamento de um vídeo pedagógico e conta com o apoio de figuras influentes do mundo digital, que partilharão testemunhos sobre o sono.
Para mais informações contactar: Marta Carreiro, Gabinete de Comunicação, através do email comunicacao@apsono.com ou do telefone +351 917 415 516.
A Associação Portuguesa de Sono, fundada em 1991, tem por fim a promoção de ações que visem a investigação, desenvolvimento e divulgação dos temas relativos ao estudo do sono e suas perturbações. A sua principal missão é contribuir para a melhoria da saúde pública, aumentando a consciencialização da população para a importância do sono https://apsono.com/.
NR/HN/Lusa



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