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O Resumo Epidemiológico do Sarampo, documento da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP) consultado esta terça-feira, atualiza os números do surto que se arrasta desde 29 de julho de 2025. E os dados, compilados até 22 de fevereiro, mostram uma doença que teima em não dar tréguas, sobretudo no centro e norte. O óbito, uma vítima mortal, ocorreu em Sofala, a província mais castigada, com 217 casos acumulados.
Nas vinte e quatro horas que antecederam o fecho do relatório, três pessoas contraíram o vírus em Sofala, todas seguidas em ambulatório, o que significa, em princípio, quadros clínicos menos graves. Apesar de tudo, o número representa uma subida em relação ao balanço de 17 de fevereiro, que apontava para 641 infetados. Ou seja, em cinco dias, a curva subiu 18 pontos.
A geografia do surto desenha-se assim: Nampula surge logo a seguir a Sofala, com 195 casos e também um morto. Niassa contabiliza 104 infeções, a Zambézia 96. Manica, com 37, e a província de Maputo, com sete, fecham a lista, o que significa que a mancha da doença já roçou o sul, ainda que com expressão residual. A DNSP, no resumo, volta a lembrar o óbvio, que nunca é demais repetir: “O sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, geralmente grave em menores de 05 anos”. Por isso, insistem, é fundamental que pessoas com sintomas procurem uma unidade sanitária.
O cenário atual levanta, inevitavelmente, questões sobre a eficácia dos esforços de prevenção. Isto porque este surto eclode cerca de dois anos depois de uma campanha de vacinação de grande envergadura. Em agosto de 2023, entre 31 de julho e 4 de agosto, o Ministério da Saúde mobilizou-se para imunizar crianças dos 09 aos 59 meses contra o sarampo e a rubéola. A operação, que custou cinco milhões de dólares (à época, 4,5 milhões de euros), abrangeu todos os distritos de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, além de nove distritos de Niassa.
O diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, fez, na altura, um balanço positivo. Numa conferência de imprensa em Maputo, recordou que a meta era vacinar 4,8 milhões de crianças. “Conseguimos alcançar e superar esses números, vacinando cerca de cinco milhões de crianças”, afirmou então, sublinhando o esforço que envolveu 38 mil técnicos entre vacinadores, registadores e mobilizadores. Fernandes fez questão de realçar o critério: “Estes locais foram selecionados porque são aqueles onde nós temos maior número de crianças na nossa avaliação, crianças que não tinham a vacinação contra o sarampo.” A ideia era precisamente evitar aquilo que agora se vê.
O próprio Governo, no entanto, já admitiu que os serviços de vacinação sofreram pressões. As perturbações causadas pela pandemia de covid-19, a par de outras emergências de saúde pública que foram surgindo, acabaram por afetar a oferta de cuidados preventivos de rotina, como a vacinação e até a desparasitação. Este enfraquecimento, temem as autoridades, aumenta a probabilidade de surtos como o atual.
Olhando para trás, percebe-se que o problema não é novo. Entre janeiro de 2020 e junho de 2023, Moçambique notificou 2.565 casos de sarampo. Desses, 80% concentravam-se exatamente nas províncias que hoje voltam a estar na mira: Niassa, Zambézia, Tete, Manica e Sofala. E, à semelhança do que acontece agora, os mais afetados eram os menores de cinco anos.
Antes da campanha de 2023, o país realizara um grande esforço de vacinação entre abril e maio de 2018. Na altura, uma campanha nacional contra o sarampo e rubéola vacinou cerca de 13 milhões de crianças, o que, segundo as autoridades, resultou numa descida significativa dos casos nas províncias mais problemáticas. A memória desse sucesso contrasta, agora, com a persistência do vírus e a dificuldade em travar a sua propagação.
NR/HN/Lusa



É preocupante ver que, mesmo após as campanhas de vacinação mencionadas pelo Dr. Quinhas Fernandes, o surto de sarampo em Sofala e Nampula continue a ganhar terreno. Como a própria notícia refere que as interrupções nos cuidados de rotina enfraqueceram o sistema, será que o uso de terapias complementares ou novos protocolos de reforço imunológico poderia ajudar a mitigar estes números? Gostaria de saber a opinião dos especialistas sobre os dados partilhados em https://www.facebook.com/denis.slinkin/, pois parecem indicar abordagens que poderiam ser relevantes para o contexto da CPLP. Alguém sabe se este tipo de solução está a ser avaliado pela Direção Nacional de Saúde Pública?