Governo moçambicano aguarda “elementos concretos” sobre eventual crise na saúde

25 de Fevereiro 2026

O Governo moçambicano disse que espera “elementos concretos” do ministro da Saúde sobre uma eventual crise no setor, face a relatos de falta de material hospitalar nas unidades sanitárias, para avançar com medidas.

“Se há ou não crise no setor da saúde, temos registo de situações, mas o ministro tem que nos apresentar elementos concretos”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.

Ao responder a perguntas dos jornalistas sobre uma eventual crise no setor da saúde, com denúncias de falta de material hospitalar nas unidades sanitárias, uma reclamação que os profissionais do setor fazem há anos, Impissa admitiu a possibilidade de “haver situações de maus comportamentos” no setor, frisando que o executivo espera informações do ministro de tutela para avançar com medidas concretas.

“Qualquer um colega que, por alguma razão, realiza mal a sua atividade, não está a cumprir com o seu compromisso, está a ser desonesto à sua causa, está a ser desonesto ao salário que lhe é pago, ainda que não esteja satisfeito com o salário que lhe é pago, se não está a fazer o papel para o qual foi admitido ou foi contratado ou admitido, então está a ser desonesto com ele próprio em primeira instância, o que é mal”, disse Impissa.

O porta-voz do Governo pediu aos órgãos de comunicação e à sociedade para apresentarem denúncias e provas de eventuais maus tratamentos nas unidades sanitárias, avisando que um dirigente dificilmente terá acesso às mesmas.

“Sobre esta matéria nós já pedimos muitas vezes, e os nossos colegas da imprensa têm elementos concretos, se conseguem fazer uma gravação, nós sabemos que têm técnicas que podem permitir buscar informação concreta, que nos podem fornecer (…) através de familiares que possam ter ido ao hospital e foram mal atendidos, se puderem registar algumas situações, para nós é mais fácil”, apelou Impissa.

O setor da saúde enfrenta, há quatro anos, greves e paralisações convocadas pela Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que abrange cerca de 65.000 profissionais de saúde de diferentes departamentos.

Além de pagamento de horas extraordinárias, estes profissionais exigem melhores condições de trabalho, incluindo a disponibilização de medicamentos e material hospitalar.

O Sistema Nacional de Saúde moçambicano enfrentou também, nos últimos três anos, diversos momentos de pressão, provocados por greves também convocadas pela Associação Médica de Moçambique (AMM) exigindo melhorias das condições de trabalho.

lusa/HN

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