Pedro Pita Barros: programa “Ligue Antes Salve Vidas” explica redução de idas às urgências

25 de Fevereiro 2026

A procura das urgências hospitalares registou uma quebra de 7,2% em 2025 face ao ano anterior, segundo dados provisórios da ACSS. Em análise publicada no blog "Momentos Económicos... E não só", o professor da Nova SBE Pedro Pita Barros atribui parte desta redução ao programa "Ligue Antes Salve Vidas", descartando que a quebra signifique menor acesso a cuidados necessários

Numa altura em que a Direção-Executiva do SNS e o Bastonário da Ordem dos Médicos já tinham saudado a redução do número de episódios de urgência, Pedro Pita Barros foi mais longe e procurou respostas para duas perguntas que considera centrais: até que ponto o programa “Ligue Antes, Salve Vidas” explicará esta quebra e se a descida esconderá, afinal, dificuldades acrescidas no acesso a cuidados necessários. As respostas, sustenta, estão no Relatório de Acesso a Cuidados de Saúde, recentemente disponibilizado.

O docente da Nova SBE chama a atenção para a análise que o próprio relatório faz ao impacto do programa, comparando a evolução da procura nas Unidades Locais de Saúde que já o adotaram com aquelas onde ainda não vigora. A estimativa, que abrange o período entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, aponta para uma redução média de 5,5% nas urgências classificadas como evitáveis, um número que, nas contas de Pedro Pita Barros, “é certamente compatível com a redução de 7,2% de todas as urgências” – um valor mais alargado, que inclui unidades sem o programa e todo o tipo de episódios. O economista nota, porém, que o efeito não é uniforme, crescendo ao fim de seis meses de implementação, mas com “grande diversidade entre ULS”.

Referência: Barros, P., & Santos, C. (2025). Acesso a Cuidados de Saúde 2025. Nova School of Business and Economics. https://doi.org/10.34619/sxve-zeke (a descrição metodológica da população inquirida pode ser encontrada no relatório)

Haverá outros fatores em jogo, admite, mas o contributo do “Ligue Antes” terá sido relevante. E sublinha um ponto que a versão inicial do programa, assente sobretudo na persuasão, não conseguiu: a “obrigação” de passar pela linha SNS24 antes de rumar ao hospital, para obter o encaminhamento adequado, parece ter feito a diferença.

A segunda questão – a do eventual estrangulamento do acesso – é respondida pelo professor com igual recurso aos dados do relatório. Aí, a comparação entre 2025 e 2023 mostra uma redução esperada na procura das urgências públicas, um aumento do recurso à linha SNS24 e uma ligeira subida nas idas aos cuidados de saúde primários. Nem o recurso às urgências privadas cresceu, o que para Pedro Pita Barros afasta o cenário de quem procura no privado o que não encontra no público. Houve, isso sim, um aumento nas idas a consultórios privados, mas fora do âmbito da urgência.

Olhando para aqueles que, num primeiro momento, não recorreram a qualquer serviço de saúde, o relatório também não encontra indícios de que tenham visto o seu estado agravar-se. “Este quadro global, em comparação com 2023 ou com 2019, como ano antes da pandemia, não mostra mais dificuldades no acesso a cuidados de saúde”, remata o economista, que vê ainda um sinal positivo no reforço do uso dos cuidados primários.

Ainda assim, deixa um aviso: para que o caminho da redução das urgências desnecessárias se mantenha, será essencial continuar a apostar nos cuidados de saúde primários – uma ideia que, como ironiza, “tem sido repetidamente afirmada por sucessivos governos das últimas décadas”.

https://momentoseconomicos.com/2026/02/24/idas-as-urgencias-2025-vs-2024/

NR/HN/MM

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