Epidemia de cólera em Moçambique com mais de 200 novos casos em dois dias

26 de Fevereiro 2026

Moçambique registou 95 novos casos de cólera na atual epidemia, em 24 horas, elevando para quase 6.300 infetados desde setembro, com 72 mortos, incluindo mais de 200 novos doentes em apenas dois dias, segundo dados oficiais.

De acordo com o último boletim da doença da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP), a que a Lusa teve hoje acesso e com dados de 03 de setembro a 24 de fevereiro, do total de 6.295 casos de cólera contabilizados neste período, 2.763 foram registados na província de Nampula, com um acumulado de 32 mortos, e 2.336 em Tete, com 28 óbitos, além de 958 em Cabo Delgado, com oito mortos.

Em menor dimensão, o acumulado aponta para 102 casos de cólera e um morto na província da Zambézia, 89 casos e dois mortos na província de Manica e 45 casos e um morto em Sofala. Surgiram ainda casos, este mês, na cidade de Maputo e na província de Gaza (um em cada).

Só nas 24 horas anteriores ao fecho deste boletim (24 de fevereiro), foram confirmados mais 95 casos, com a taxa de letalidade geral nacional a baixar para 1,1%. Em dois dias, o número de novos doentes ascende a 209, além do registo de 123 pessoas internadas com cólera.

No surto de cólera anterior, de acordo com os dados da DNSP de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos, pelo que o atual já ultrapassa o número de doentes e mortos em cerca de metade do tempo do anterior.

As autoridades sanitárias moçambicanas assumiram em 19 de fevereiro que o país já enfrenta uma epidemia de cólera, com a doença presente em 22 distritos, avançando com a vacinação de 3,5 milhões de pessoas.

“O país tem uma epidemia, claramente porque temos vários surtos, em vários locais. A definição da epidemia é quando temos vários surtos juntos, então, sim, temos”, disse o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, questionado pela Lusa, numa conferência de imprensa, em Maputo.

O responsável adiantou na mesma conferência de imprensa, de balanço da situação epidemiológica, que vai avançar nos próximos dias uma campanha de vacinação contra a cólera, que vai decorrer na cidade de Tete e Moatize, província de Tete, no centro, e nos distritos de Eráti e Nacala Porto, em Nampula, no norte.

“Em Tete estamos a vacinar dois distritos e em Nampula outros dois distritos e inicialmente recebemos 2,5 milhões de doses vacinas que estão neste momento a ser alocadas a estas duas províncias e em uma semana e meia vamos receber cerca de 750 mil doses. Ao final, para estas duas províncias, vamos alocar cerca de 3,5 milhões de doses para vacinar nestes quatro distritos”, explicou Fernandes.

O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera “como um problema de saúde pública” no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).

O objetivo é “ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas”, disse então Inocêncio Impissa.

lusa/HN

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