Médicos defendem rastreio do cancro do intestino a partir dos 45 anos

26 de Fevereiro 2026

A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) anuncia uma campanha nacional de sensibilização que arranca em março, Mês da Prevenção para o Cancro Colorretal, defendendo a redução da idade de início do rastreio para os 45 anos. A iniciativa surge na sequência de dados que indicam um aumento da incidência da doença em camadas mais jovens da população e pretende combater o elevado número de diagnósticos tardios

É a segunda causa de morte por cancro em Portugal, mas a maioria dos casos só é detetada quando já se manifestaram sintomas. Perante este cenário, a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) escolheu o Mês da Prevenção para o Cancro Colorretal, em março, para lançar o alerta: “Há atrasos que custam a ultrapassar, outros não dão uma segunda oportunidade”. O objetivo da campanha é claro – levar os portugueses a fazerem o rastreio a partir dos 45 anos, antecipando a idade habitual de início dos programas de rastreio.

“O cancro colorretal, também conhecido por cancro do intestino, caracteriza-se por uma incidência e mortalidade elevadas. Quando surgem sintomas como dor abdominal, sangue nas fezes, alteração do trânsito intestinal, perda de peso ou anemia, a doença pode já encontrar-se numa fase avançada”, explica Marília Cravo, gastrenterologista e presidente da SPG. A especialista sublinha que a esmagadora maioria dos doentes – entre 70% a 90% – chega ao hospital já com queixas, o que muitas vezes significa que o tumor cresceu e se desenvolveu sem que nada o denunciasse. Daí a insistência na prevenção primária.

A SPG recorda que, ao contrário de outras neoplasias, o cancro do intestino pode ser travado antes mesmo de existir. A colonoscopia permite não só detetar lesões suspeitas como remover pólipos que, a prazo, poderiam evoluir para malignidade. “É por isso que reforçamos a importância do rastreio a partir dos 45 anos. A colonoscopia permite, de forma segura, detetar pólipos do intestino que podem evoluir para cancro, aumentando significativamente a probabilidade de tratamento eficaz”, acrescenta Marília Cravo. Quando a doença é identificada numa fase inicial, a taxa de sobrevivência aos cinco anos aproxima-se dos 90%.

A campanha da SPG vai estar presente nas redes sociais da sociedade e nos meios de comunicação social ao longo de março. Para mais informações, a SPG remete os interessados para o portal Saúde Digestiva, disponível em www.saudedigestiva.pt, onde será possível acompanhar as ações de sensibilização e esclarecer dúvidas sobre a doença e os métodos de rastreio.

PR/HN/MM

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