Moçambique lidera saúde mental jovem, Brasil entre os piores, angolanos mais espirituais

26 de Fevereiro 2026

Moçambique lidera os países lusófonos num ranking global de saúde mental dos jovens, enquanto o Brasil tem um dos piores desempenhos e Angola se destaca como um dos países mais espirituais, segundo um estudo hoje divulgado.

De acordo com o relatório Global Mind Health 2025, da organização Sapien Labs, Moçambique ocupa o 12.º lugar entre 84 países em termos da saúde mental da população entre os 18 e os 34 anos, posicionando-se entre os melhores do continente africano e muito acima de Portugal, que surge no 46.º lugar.

O relatório Global Mind Health (Saúde Mental Global) integra-se num projeto que mede a saúde mental no mundo ligado à Internet, sendo apresentado como o maior estudo contínuo deste género, com dados de mais de 2,5 milhões de pessoas em 85 países.

Angola aparece no 25.º lugar mundial, o que representa um desempenho positivo no contexto global, embora esteja abaixo de países africanos como Gana, Nigéria, Quénia e Tanzânia, que lideram a lista.

O Brasil foi o país lusófono com pior desempenho no estudo, ocupando o 79.º lugar entre os 84 países contrastando com vários países africanos, que dominam os primeiros lugares do ‘ranking’.

No estudo conclui-se que, de forma geral, “os países que têm relativamente melhor saúde mental são predominantemente da África subsaariana”, enquanto países ricos como Reino Unido, Japão ou Alemanha surgem com as piores classificações.

O estudo usa um Quociente de Saúde Mental (MHQ, na sigla em inglês) que mede a capacidade de enfrentar os desafios da vida e funcionar de forma produtiva. Trata-se de um indicador composto que agrega as avaliações dos inquiridos em 47 dimensões cognitivas, emocionais, sociais e físicas.

No caso de Angola, um dos fatores que mais se destaca é a espiritualidade dos jovens, onde o país ocupa o 7.º lugar entre 69 países, com uma das pontuações mais elevadas do mundo, com Moçambique a posicionar-se em 9.º.

Outro fator analisado foi a relação com a família, considerada determinante para o equilíbrio psicológico, já que no estudo conclui-se que os jovens com relações familiares fracas têm quatro vezes mais probabilidade de apresentar problemas de saúde mental.

Os dois países africanos apresentam níveis relativamente baixos de proximidade familiar dos jovens, surgindo nas posições 71.ª e 78.ª, um contraste relevante, já que segundo o relatório, a espiritualidade e as relações familiares são dois dos fatores que mais influenciam a saúde mental.

No estudo sublinha-se ainda que a espiritualidade é particularmente elevada em África, referindo que “14 dos países com espiritualidade mais elevada estão no continente africano”, o que ajuda a explicar os bons resultados de vários países africanos na saúde mental jovem.

Portugal apresenta um perfil oposto, com níveis relativamente baixos de espiritualidade, ocupando o 44.º lugar neste indicador, mas com laços familiares mais fortes, surgindo na 18.ª posição mundial, o que demonstra que diferentes fatores culturais e sociais contribuem de forma distinta para os níveis de saúde mental entre países.

O acesso tardio a ‘smartphones’ é outro fator que favorece os países africanos, incluindo os jovens de Angola e Moçambique, que receberam o primeiro telemóvel mais tarde do que os europeus.

Segundo o relatório, “quanto mais cedo os jovens recebem ‘smartphones’, maior é a probabilidade de terem problemas mentais na idade adulta”, incluindo depressão, ansiedade e pensamentos suicidas.

Também o consumo de alimentos ultraprocessados, mais elevado nos países ocidentais, contribui para piores resultados, por estarem associados ao aumento da depressão e à diminuição da capacidade emocional e cognitiva.

Portugal e Brasil surgem entre os países com maior consumo de alimentos ultraprocessados, ocupando o 17.º e o 27.º lugares, respetivamente, enquanto Angola e Moçambique estão entre os países com menor consumo, nas 62.ª e 73.ª posições.

Globalmente, no relatório alerta-se para uma crise crescente, especialmente entre os jovens, referindo que “quase metade dos adultos com menos de 35 anos enfrenta desafios significativos de saúde mental”, um nível quatro vezes superior ao das gerações mais velhas (mais de 55 anos).

lusa/HN

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