Parlamento chumba dispensa para dadores de sangue

27 de Fevereiro 2026

A possibilidade de os dadores de sangue poderem faltar justificadamente ao trabalho no dia da dádiva foi hoje chumbada na Assembleia da República. Os projetos de lei do Bloco de Esquerda, PCP e PAN, que visavam alterar o Estatuto do Dador de Sangue e o Código do Trabalho, foram rejeitados com os votos contra do PSD e CDS-PP e a abstenção do PS, Chega e Iniciativa Liberal

A discussão em torno da medida, que prometia aquecer o hemiciclo, acabou por ditar a manutenção do regime atual. Neste momento, a lei garante apenas que o trabalhador se pode ausentar do local de trabalho pelo tempo estritamente necessário à realização da dádiva, sem perda de direitos. Mas, como sublinharam os autores das propostas, não há direito a um dia de descanso ou dispensa total.

Durante o debate, que se prolongou durante a tarde, Fabian Figueiredo, deputado único do BE, pegou nos números da queda de dádivas para justificar a urgência da iniciativa. “Não podemos ignorar a quebra contínua de dadores e achar que tudo se resolve com campanhas nos media. As pessoas precisam de tempo, precisam que lhes digam que é possível conciliar a solidariedade com a rotina de trabalho”, defendeu, visivelmente insatisfeito com o desfecho.

Do lado comunista, Paula Santos foi pela mesma linha, argumentando que apelar à consciência cívica sem remover obstáculos práticos é “pura demagogia”. Inês Sousa Real, do PAN, também lamentou a oportunidade perdida: “Falamos tanto na necessidade de reforçar o Serviço Nacional de Saúde e depois criamos entraves a quem quer contribuir diretamente para salvar vidas.”

Pelo PSD, Liliana Fidalgo considerou que a lei atual é suficiente e que o foco deve estar noutro lado. Defendeu que o caminho passa por divulgar melhor os direitos que já existem, convencer as entidades patronais da importância da causa e, sobretudo, reforçar a capacidade logística e operacional do Instituto Português do Sangue e da Transplantação. “Não é por se dar o dia que vamos ter mais dadores. É por se criar uma cultura de proximidade e facilidade”, rematou, assegurando o voto contra.

A sessão incluiu ainda a votação de projetos de resolução do Chega, Livre e BE sobre a mesma matéria, todos chumbados. Num mar de rejeições, salvou-se uma iniciativa do PS, que recomenda ao Governo a promoção estruturada da dádiva voluntária e regular. O texto foi aprovado com a abstenção de PSD e CDS-PP, mas sem o entusiasmo de quem via nas propostas originais uma mudança tangível para quem doa sangue. Há quem diga que, na prática, fica tudo na mesma.

NR/HN/Lusa

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