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A Unidade de Assistência Domiciliária do Instituto Português de Oncologia de Lisboa completa 70 anos. Fundada a 27 de fevereiro de 1956, com o nome de Serviço de Visitação Domiciliária, resultou de uma parceria com a Liga Portuguesa Contra o Cancro e a Fundação Calouste Gulbenkian. Na altura, tratou-se de uma inovação na prestação de cuidados em Portugal, retirando do hospital a centralidade exclusiva do tratamento e transportando para o domicílio uma resposta clínica organizada. O objectivo fundacional – reduzir o tempo de internamento e assegurar continuidade assistencial – mantém-se, mas o contexto, esse, é hoje outro, de maior complexidade.
“Celebrar 70 anos da Unidade de Assistência Domiciliária é reconhecer o impacto profundo que esta equipa tem tido na vida de milhares de doentes e famílias”, sublinha Madalena Feio, coordenadora da UAD. A responsável acrescenta que, ao longo deste período, o modelo de cuidados se consolidou “centrado na pessoa, que alia competência técnica, proximidade e humanidade”. Os pilares da intervenção, sobretudo na esfera dos cuidados paliativos, continuam a ser a gestão da dor, o tratamento de feridas complexas e o acompanhamento próximo, tanto do doente como da rede familiar que o sustenta.
A presidente do Conselho de Administração do IPO Lisboa, Carla Gonçalo, enquadra a efeméride num plano mais vasto: “O futuro da UAD passa por continuar a inovar e a reforçar a resposta domiciliária, acompanhando a crescente complexidade clínica dos doentes e as novas exigências dos cuidados.” Em declarações, acrescenta que a instituição tenciona investir em paliativos diferenciados e também na área dos cuidados externos no domicílio. “Manteremos o compromisso de levar cuidados diferenciados a casa de quem mais precisa, com qualidade e dignidade”, remata.
Actualmente, a UAD integra doze profissionais — médicos, enfermeiros, assistente social e assistente espiritual. A equipa assegura o acompanhamento de cerca de 65 doentes por ano, num total que ronda as duas mil visitas domiciliárias e as 2250 consultas telefónicas. Números que, nas palavras da coordenadora, traduzem “um trabalho silencioso mas estruturante” no percurso de muitos doentes oncológicos.
As comemorações começam pelas 15h de sexta-feira, com a plantação de uma oliveira no recinto do IPO Lisboa. A árvore, simbólica, representa a esperança e a resiliência — traços que marcam o percurso de quem passa pelos cuidados paliativos. Segue-se a inauguração de uma exposição fotográfica que percorre a história e a evolução da unidade ao longo destes 70 anos. A ideia, explicam os organizadores, é mostrar como se transformou o apoio domiciliário sem nunca se ter desvirtuado a matriz original.
A criação da UAD, em meados dos anos 50, inscreveu-se num movimento mais amplo de humanização dos cuidados, numa época em que a oncologia dava os primeiros passos enquanto especialidade. Sete décadas volvidas, a estrutura que nasceu para acudir a doentes internados e permitir-lhes regressar mais cedo a casa enfrenta agora o desafio inverso: evitar o internamento sempre que possível, garantindo que o domicílio é lugar de tratamento seguro e digno. A equipa do IPO Lisboa, com a discrição que a caracteriza, continua a fazer esse caminho, visita a visita.
NR/HN/MM



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