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A Comissão Europeia divulgou a lista das 18 semifinalistas do European Prize for Women Innovators 2026, e entre elas figuram duas portuguesas com percursos científicos e empresariais assentes em Braga. Sónia Ferreira, fundadora da BestHealth4U, e Neide Vieira, cofundadora da Iplexmed, concorrem em categorias distintas deste concurso que distingue mulheres empreendedoras a transformar ideias em negócios de base tecnológica. Ambas as startups estão sediadas na Escola de Medicina da Universidade do Minho e na Startup Braga.
O anúncio das finalistas acontece em março, por via eletrónica, e a cerimónia final está marcada para junho, durante o EIC Summit, na Bélgica. Os prémios chegam aos 100 mil euros, dependendo da categoria e da classificação.
Sónia Ferreira, 48 anos, natural de Serzedêlo, em Guimarães, concorre na categoria principal, “Women Innovators”, reservada a empresárias da União Europeia e países associados ao Horizonte Europa com projetos inovadores já em fase de crescimento. A sua empresa, a BestHealth4U, desenvolve dispositivos médicos patenteados que interagem com a pele e prometem melhorar a segurança dos doentes e o conforto no uso. A história da startup começou de forma modesta, na cozinha de casa, por volta de 2016 ou 2017. Os primeiros anos foram, nas palavras da própria, “árduos”. Mas a perseverança trouxe resultados: a empresa conseguiu captar 2,5 milhões de euros do programa europeu EIC Accelerator, juntando investimentos da Lince Capital, Portugal Ventures, verbas do PRR e apoio da Funding IP. Parcerias com a Bayer, a Johnson & Johnson, a CUF e a TecMinho ajudaram a validar a tecnologia no terreno.
O percurso de Sónia não se fez apenas na bancada do laboratório. Licenciada em Engenharia Biomédica pela Universidade Católica, mestre em Engenharia Biomédica e Biofísica pela Universidade de Lisboa, trouxe ainda um MBA pelo INDEG-ISCTE e especializações em Farmácia pela Universidade de Aveiro, em Dispositivos Médicos pelo Centro Clínico Académico de Braga, em Gestão pela ESADE, em Internacionalização pela Católica Lisbon e em Empreendedorismo pelo MIT-Boston. Passou pela Iberia Advanced Health Care, pela Associação de Laserterapia, pelo Polo de Inovação em Engenharia de Polímeros e integrou um grupo de trabalho do Ministério da Economia e do Mar.
Neide Vieira, nascida em 1984 em Pretória, na África do Sul, filha de portugueses, vive em Braga e concorre na categoria “EIT Women Leadership”, que distingue mulheres com papéis de liderança em programas do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia. A sua startup, a Iplexmed, criou uma plataforma de diagnóstico portátil, rápida e conectada que dá resultados com qualidade laboratorial recorrendo a biossensores de grafeno. É uma spin-off da UMinho em parceria com o INL.
A investigação de Neide já foi distinguida em diferentes concursos internacionais, tais como 929 Challenge (Macau), EmpoWomen (EUA), III Global Graphene Call (Espanha), She Loves Tech (Sul da Europa), EIT RIS Innovation e InnoStars Award (UE), além de vários nacionais, como SIM Conference Pitch, VII EmpreendeXXI (LaCaixa BPI), Born from Knowledge (ANI), VII Acceleration Program e Empreender Braga (Startup Braga). A AICEP incluiu-a recentemente na lista das dez tecnológicas nacionais que estão a revolucionar indústrias em todo o mundo.
Fez a licenciatura em Biologia Aplicada e um doutoramento europeu em Ciências Biológicas pela UMinho e pela Universidade de Aberdeen (Reino Unido) e com períodos no Instituto Jacques Monod e na École Normale Supérieure (França). Fez pós-doutoramentos na Universidade de Nova Iorque (EUA), no Instituto de Medicina Molecular e no ICVS-UMinho, além de cursos avançados na Arménia, Suíça, Grécia e Espanha. Recebeu prémios em conferências nos EUA e Croácia e uma bolsa da Brain & Behavior Research Foundation (EUA), além de financiamento nacional da FCT.
Esta dupla nomeação surge num momento particularmente animador para o ecossistema de inovação bracarense. Braga foi eleita Cidade Europeia Inovadora em Ascensão 2025 pelo Conselho Europeu de Inovação, e a Startup Braga alcançou recentemente a 35.ª posição num ranking do Financial Times, Sifted e Statista que avaliou 180 hubs de startups por toda a Europa. Há ainda em preparação o BioMedTechHub, uma infraestrutura que junta a UMinho, o Centro Clínico Académico, o CCG/ZGDV, o INL, o IPCA e várias empresas de base tecnológica.
O European Prize for Women Innovators, recorde-se, resulta de uma parceria entre o European Innovation Council e o European Institute of Innovation and Technology. Para além do valor monetário, o prémio quer servir de farol para as novas gerações – raparigas que andam agora na escola e que talvez nunca tenham pensado que podiam um dia criar uma empresa a partir de uma descoberta científica.
PR/HN/MM



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