ESEUC avalia modelo diferenciado de gestão de acessos vasculares

28 de Fevereiro 2026

Investigadores da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra estão a avaliar, em parceria com a Unidade Local de Saúde de Coimbra, os benefícios clínicos e económicos de uma equipa especializada em acessos vasculares, comparando a sua atividade com os cuidados convencionais prestados diariamente nos serviços hospitalares

A iniciativa, que envolve docentes da ESEUC e enfermeiros da Unidade de Cuidados Intermédios Médicos da ULS de Coimbra, pretende aferir ganhos concretos na experiência do doente, nos resultados clínicos e na relação custo-consequência dos cuidados prestados. O projeto, designado “The VAST-P – Evaluating the Clinical, Experiential, and Economic Impact of a Vascular Access Specialist Team in a Portuguese Local Health Unit”, arrancou no início do ano e estende-se por 18 meses.

Paulo Santos Costa, professor adjunto da ESEUC e investigador na área de Enfermagem de Saúde Comunitária, coordena o grupo de trabalho e sublinha que países como Espanha, Reino Unido, Canadá, Austrália, Estados Unidos ou Itália integram há anos este tipo de equipas nos respetivos sistemas de saúde. “São reconhecidas como boa prática, contribuindo para maior segurança clínica, melhor experiência das pessoas doentes e utilização mais racional dos recursos”, afirma, acrescentando que os ganhos não se limitam ao consumo de materiais, mas também ao tempo despendido pelos profissionais.

Estas equipas têm como missão apoiar os serviços na avaliação de situações complexas que exigem acesso vascular, periférico ou central, ajudando a selecionar o dispositivo mais ajustado às necessidades terapêuticas de cada pessoa. Intervêm diretamente nos casos mais exigentes, sobretudo quando há dificuldades na identificação ou utilização dos acessos venosos, reduzindo tentativas múltiplas de punção. “Este modo de atuação permite diminuir complicações durante e após a inserção, evitar reinserções desnecessárias e melhorar o conforto e a experiência das pessoas durante o internamento ou em ambulatório”, explica o investigador.

Para além da intervenção direta, os especialistas dedicam-se à formação dos profissionais das instituições e ao desenvolvimento de investigação na área. O projeto agora em curso é um de quatro estudos a desenvolver em cocriação pela ESEUC e pela ULS de Coimbra, tendo sido distinguido com um prémio de dez mil euros, financiado em partes iguais pelas duas instituições.

Pela ULS de Coimbra, integram a equipa os investigadores Eulália Ribeiro, Ana Rita Santos, Cláudio Cruz, Daniel António, Nelson Figueiredo e Raquel Guedes, todos da Unidade de Cuidados Intermédios Médicos, além de Diana Santos, do Núcleo de Investigação em Enfermagem. Pela ESEUC, participam ainda Anabela Salgueiro Oliveira, João Graveto, Pedro Parreira e Teresa Neves.

Os resultados do estudo deverão ser divulgados em 2027, num evento aberto aos profissionais da ULS de Coimbra, que incluirá sessões de formação específicas na área dos acessos vasculares.

PR/HN/MM

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