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Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) vão comparar, num estudo inédito no país, as mais-valias da intervenção de uma equipa hospitalar dedicada exclusivamente a acessos vasculares com os cuidados habituais prestados diariamente nos serviços. A iniciativa, anunciada hoje, resulta de uma parceria entre a Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) e a Unidade Local de Saúde (ULS) da cidade, que já criou uma equipa especializada nesta área.
De acordo com as informações divulgadas, a Equipa de Acesso Vascular da ULS de Coimbra, integrada na Unidade de Cuidados Intermédios Médicos, atua de forma estruturada no apoio a doentes que apresentam necessidades complexas relacionadas com a obtenção e manutenção de acessos vasculares. O objectivo da investigação, designada “The VAST-P”, passa por aferir se este modelo diferenciado se traduz em ganhos efetivos quando comparado com a abordagem convencional, em que são os próprios serviços, através dos seus enfermeiros e médicos, a gerir estas situações.
Paulo Santos Costa, professor e investigador da ESEUC que coordena o grupo de trabalho do projeto, sublinha que a criação destas equipas não é propriamente uma novidade lá fora. “Um número elevado de países, como Espanha, Reino Unido, Canadá, Austrália, Estados Unidos da América ou Itália, dispõe há vários anos de equipas de acesso vascular integradas nos seus sistemas de saúde”, observou o também especialista em enfermagem de saúde comunitária. A ideia, segundo defende, é que estes grupos são hoje reconhecidos como uma boa prática, contribuindo para uma maior segurança clínica e para uma melhor experiência dos doentes, além de permitirem uma utilização mais racional e eficiente dos recursos. Não se trata apenas de poupar materiais, mas também de libertar tempo dos profissionais para outras tarefas.
A missão principal desta equipa, explicou o investigador, é dupla: por um lado, apoiar os serviços na avaliação de situações mais complicadas, ajudando a escolher o dispositivo mais adequado às necessidades terapêuticas de cada pessoa; por outro, intervir diretamente nos casos mais exigentes, nomeadamente quando há dificuldades em identificar ou utilizar as veias, o que pode reduzir o sofrimento do doente e a necessidade de múltiplas tentativas de punção.
No âmbito do estudo, os investigadores vão analisar três vertentes: os resultados clínicos obtidos, a experiência vivida pela pessoa que necessita do dispositivo de acesso vascular e a relação entre os custos e as consequências dos cuidados prestados. O trabalho será desenvolvido em cocriação com os enfermeiros que integram a equipa especializada da ULS de Coimbra.
O projeto “The VAST-P” foi um dos quatro contemplados no início do ano com um prémio de 10 mil euros, no âmbito de um concurso promovido e financiado em partes iguais pela ESEUC e pela ULS de Coimbra, destinado a fomentar a investigação clínica em ambiente hospitalar.
NR/HN/Lusa



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