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O presidente da Junta de Freguesia de Marvila em exercício, Joaquim Cerqueira de Brito (PS), manifestou-se esta sexta-feira contra a localização escolhida pelo município para instalar a estrutura de abrigo de pombos de competição. Em declarações à Lusa, o autarca, que substitui temporariamente José António Videira (PS), afastado por motivos de saúde, classificou a decisão como insensata: “Estamos a falar de um pombal com largas centenas de pombos colocado a meia dúzia de metros de uma creche, o que não faz sentido nenhum. O risco para a saúde pública é evidente e a população está justamente preocupada”.
De acordo com Joaquim Cerqueira de Brito, a junta propôs como alternativa o Vale Fundão, uma zona que considerava mais adequada, mas a escolha final “foi da Câmara, não da Junta”. O autarca confirmou que a freguesia suportou os custos com os materiais para a nova estrutura, um apoio concedido num contexto complicado. “Os proprietários dos pombais tinham de sair do espaço anterior por causa da obra do Hospital de Todos os Santos. Havia um grande litígio, eles não queriam sair e as máquinas já estavam no terreno. Garantimos os materiais para viabilizar a mudança, mas nunca para este local”, explicou, insistindo no apelo para que a autarquia reavalie a decisão.
Fonte oficial da Câmara de Lisboa, liderada por Carlos Moedas (PSD), defendeu que a nova localização, na Rua JA2, junto à Creche Cor de Rosa (pertencente ao Centro de Dia Paroquial São Maximiliano Kolbe), “foi previamente articulada com a Junta de Freguesia de Marvila e com os proprietários dos pombos”. O município sublinhou ainda que a escolha se impôs pela necessidade de libertar o terreno anterior para a construção do novo hospital e pelos fatores de proximidade: situa-se perto do antigo pombal e permite o acesso a infraestruturas existentes, como água, num posto de limpeza provisório.
Quanto às preocupações sanitárias relacionadas com a proximidade das crianças, a autarquia contrapôs que o pombal e a creche estão “separados por um acentuado desnível do terreno”. Acrescentou ainda que os materiais de construção foram adquiridos pela junta e que a execução da obra será da responsabilidade dos criadores das aves.
A polémica chegou esta semana à reunião pública do executivo municipal. A vereadora Ana Jara (PCP) questionou a coligação PSD/CDS-PP/IL sobre o assunto, criticando a ausência de resposta e revelando que a população local contesta a medida “pelo que implica de riscos para a saúde pública”. O PCP solicitou formalmente a suspensão e reavaliação da instalação do pombal.
NR/HN/Lusa



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