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A polémica instalou-se na Câmara de Serpa a propósito da reabilitação da Extensão de Saúde de Vila Nova de São Bento. Em causa está o calendário da empreitada e a iminente perda de fundos comunitários. Os vereadores da CDU vieram a público manifestar apreensão, mas o presidente do município, socialista, devolveu as críticas, apontando o dedo à inércia do anterior executivo.
Os três eleitos da Coligação Democrática Unitária, agora na oposição, emitiram um comunicado onde sublinham que, embora a obra esteja adjudicada, o terreno continua por mexer. “A grande preocupação que nós temos tem a ver com o financiamento”, explicou à agência Lusa o vereador João Dias, lembrando que a verba de 465 mil euros, inscrita no Plano de Recuperação e Resiliência, tem de ser aplicada até ao final de junho, sob pena de a autarquia ter de suportar a totalidade do investimento, que ronda os 700 mil euros. Para a CDU, a impressão deixada pelo PS era a de que o processo se encontrava numa fase já muito adiantada, o que, na prática, não se verifica.
Contactado pela Lusa, Francisco Picareta não hesitou na resposta. O autarca socialista admite que “há, efetivamente, o risco” de o financiamento escapar, mas imputa a responsabilidade à anterior gestão. “O aviso de candidatura saiu em janeiro de 2024 e o anterior executivo só contratou o projeto em meados de 2025”, disparou, lamentando aquilo que classifica como “desorganização” e “tempo perdido”. Picareta garante que, mal tomou posse, acelerou os procedimentos: o estudo prévio, o projeto de execução e o lançamento do concurso ficaram decididos entre outubro e o final do ano.
A empreitada, de acordo com o presidente, está adjudicada e neste momento decorre a recolha da documentação necessária para a assinatura do contrato. A expectativa é que a obra arranque no início de abril, com um prazo de execução de cinco meses. “O prazo do PRR é até ao final de junho, mas prorrogável por dois meses, até fim de agosto”, detalhou, mostrando confiança no cumprimento dos prazos.
Para minimizar danos, o município de Serpa, em conjunto com as vizinhas câmaras de Moura, Ourique e Castro Verde – todas lideradas pelo PS –, já reuniu com a ministra da Saúde. O objetivo era sensibilizar o Governo para a necessidade de encontrar fontes de financiamento alternativas, numa espécie de rede de segurança para os projetos que possam ver os prazos do PRR ultrapassados. A ministra, segundo Picareta, comprometeu-se a analisar a situação.
Enquanto a questão legal e financeira não se resolve, a logística para a intervenção já está a ser preparada. Quando as máquinas avançarem, a extensão de saúde funcionará provisoriamente na escola da localidade, num espaço preparado com monoblocos. A medida visa garantir que o atendimento à população não é interrompido. A freguesia de Vila Nova de São Bento é uma das mais populosas do concelho e qualquer interregno no serviço teria um impacto significativo.
NR/HN/Lusa07



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